O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, comentou a possibilidade de uma cúpula trilateral entre os líderes da Rússia, da China e dos Estados Unidos, em entrevista à emissora Vesti.
Ele rejeitou as comparações com uma "nova Yalta", mas reconheceu que o encontro teria alcance mundial.
Com essa referência, o representante do Kremlin aludiu à histórica Conferência de Yalta de 1945, na qual os líderes da União Soviética, dos Estados Unidos e do Reino Unido estabeleceram os contornos da ordem mundial do pós-guerra.
"Essa reunião é possível. Há, por parte dos três lados, o entendimento de que seria bom se reunir. Os três lados estão hipoteticamente dispostos a realizar esse encontro", afirmou Peskov.
O porta-voz esclareceu que ainda não há uma agenda claramente definida e que há trabalho a ser feito.
"Vocês sabem que os americanos querem discutir o desarmamento nuclear, mas os chineses não querem isso. Nós estamos preparados tanto para uma coisa quanto para a outra. Mas, além disso, há muitas outras questões", explicou.
"Usar expressões como "nova Yalta" e outras do tipo também é incorreto", advertiu Peskov.
Ainda assim, reconheceu que, caso os líderes dos Estados Unidos, da China e da Rússia se reúnam, "será, sem dúvida, um encontro que atrairá a atenção do mundo inteiro".
Putin discute possível encontro com Trump na China
As declarações foram feitas no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que pretende discutir com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, a possibilidade de uma reunião com seu homólogo americano, Donald Trump, na China.
"Aqui também há algumas considerações que gostaríamos de compartilhar", assinalou Putin, durante a reunião realizada no Palácio Konstantinovsky, em São Petersburgo.
- Uma possível reunião entre Putin e seus colegas chinês e americano, Xi Jinping e Donald Trump, respectivamente, pode acontecer na China à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para novembro.
- Em 19 de outubro, Trump disse estar disposto a participar da reunião trilateral.
- No dia seguinte, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ressaltou a necessidade de incluir a estabilidade estratégica na agenda de um possível encontro, lembrando que "o mundo, pela primeira vez em muito tempo, ficou sem base jurídico-contratual" nessa área.