
Muçulmanos no Brasil se dividem entre Lula e Flávio Bolsonaro a poucos dias do segundo turno

A poucos dias do segundo turno, a comunidade muçulmana no Brasil se mostra dividida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o sheik Mohamad Al Bukao, líder da Mesquita Brasil — a mais antiga do país, localizada no Cambuci, centro de São Paulo —, reforçou que não orienta os fiéis sobre em quem votar. "As pessoas têm a liberdade de escolher candidatos, mas tem que ser com consciência, baseada naquilo que a nossa religião acredita", afirmou. Ele alertou ainda contra o uso político da religião, dizendo que "isso é muito perigoso, porque tende a manipular".
Divisão entre muçulmanos
A divisão, porém, é visível. Para parte dos muçulmanos, a causa palestina é decisiva, aponta a Folha. Lula tem adotado discursos duros contra Israel, chegando a chamar de "genocídio" a ofensiva em Gaza, gerando atritos diplomáticos.
Flávio, por outro lado, declarou apoio a Israel, prometeu transferir a embaixada para Jerusalém e chamou Lula de antissemita.
"Em 2018 e em 2022, eu conseguia constatar com clareza que a comunidade islâmica no Brasil estava muito polarizada. Já hoje, nessa eleição, a causa palestina é mais decisiva no voto", afirma a antropóloga Francirosy Campos Barbosa, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, votar em Lula para os muçulmanos não é a questão de espectro político.
Mesmo entre eles há quem escolha Flávio por razões pessoais. É o caso de Syham S., de 40 anos, libanesa radicada no Brasil há 14 anos.
"A causa palestina não entra na minha decisão. Hoje eu moro no Brasil e não posso deixar de pensar no país que me abriu um caminho novo", afirmou.
Religião preenche vácuo político
A eleição presidencial brasileira de 2026 expôs uma transformação profunda no tecido político e social do país, revelando o esvaziamento das organizações que, por décadas, conectaram a esquerda às camadas populares.
Quem preencheu o espaço vazio foram as igrejas, especialmente a evangélica, como destaca a socióloga Elizabeth McKenna, em um artigo publicado no The New York Times. A população evangélica saltou de 9%, em 1991, para 27%, em 2022, representando um acréscimo de mais de 30 milhões de pessoas.

