
País da OTAN enviará caças para defender Arábia Saudita dos ataques dos houthis do Iêmen

O Reino Unido enviará caças Typhoon da Força Aérea Real para realizar missões defensivas destinadas a "proteger cidades e infraestruturas críticas" da Arábia Saudita diante dos ataques aéreos dos houthis, anunciou nesta terça-feira (20) o Ministério da Defesa britânico.

Segundo o comunicado, os caças farão apenas operações defensivas e "não realizarão ataques ofensivos contra os houthis". O ministro da Defesa, Wes Streeting, classificou os ataques contra o aliado saudita como "absolutamente desprezíveis" e disse que o ataque ao aeroporto de Riad mostra "até onde os houthis estão dispostos a ir para agravar o problema regional".
LEIA MAIS: Quem são os Houthis, o poderoso e crescente movimento rebelde do Iêmen?
O pacote adicional também inclui um avião de transporte RAF A400M e conselheiros militares britânicos para apoiar os oficiais do reino.
O Reino Unido já fornece equipamentos de defesa aérea para proteger a Arábia Saudita contra mísseis e drones, além de apoio de reabastecimento em voo para operações defensivas sauditas. Este último respaldo foi prorrogado por 90 dias, segundo a BBC, e inclui operações destinadas a neutralizar alvos militares houthis no Iêmen.
De guerra interna a conflito regional
- Os rebeldes Houthis do Iêmen tomaram a capital, Sanaa, em 2014, no contexto da guerra civil iemenita, e assumiram o controle de parte do país, forçando a renúncia do governo e do então presidente, Abd Rabbuh Mansur al-Hadi, que fugiu para Aden e pediu ajuda aos países árabes. Desta forma, o conflito interno, que já se arrastava há anos entre os Houthis e o governo, transformou-se em uma guerra regional com intervenção externa.
- Em 2015, uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita e apoiada pelos Estados Unidos interveio no conflito, submetendo a população iemenita a uma guerra prolongada.
- Em 2022, a coalizão encerrou sua intervenção e teve início o processo de negociações entre as partes.
- Atualmente, os Houthis controlam Sanaa e o noroeste do Iêmen, incluindo a costa do Mar Vermelho — áreas onde vive a maior parte da população. O governo, agora liderado por Rashad al-Alimi, tem sua sede em Aden.
- No início de outubro, Al Alimi anunciou o início de operações militares para recuperar o território que permanece nas mãos dos Houthis.
- Recentemente, a frágil trégua que havia congelado as linhas de frente no Iêmen desde 2022 foi encerrada, e os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram suas ações contra alvos ligados a Riad enquanto o reino intensificam suas operações militares no Iêmen.

