Caminhar mais e manter a pressão arterial sob controle ao longo dos anos pode ser a chave para preservar a saúde do cérebro, aponta um estudo publicado em outubro no periódico Scientific Reports.
Pesquisadores analisaram dados de 3.093 participantes com idades entre 18 e 93 anos acompanhados por 14 anos.
Diferente de trabalhos anteriores que dependiam de relatos dos próprios voluntários, a pesquisa utilizou dados objetivos de contagem de passos diários capturados por dispositivos Fitbit, além de medições reais de pressão arterial (pressão durante a contração do coração) e diastólica (pressão durante o relaxamento do coração).
O que os testes mostraram
Ao agrupar os participantes de acordo com seus padrões de atividade física ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram 3 perfis: o menos ativo, com média de 5.108 passos por dia; o intermediário, com 8.875; e o mais ativo, com 14.161.
Para medir a cognição, os cientistas aplicaram 4 testes computadorizados no final do período de acompanhamento avaliando funções como atenção sustentada, controle de distrações, avaliação de recompensas (conhecidas como desconto de atraso) e reconhecimento de emoções faciais.
Os resultados mostraram que níveis mais elevados de atividade física estavam associados a melhores pontuações em testes de atenção, controle cognitivo e avaliação de recompensas.
Já níveis mais elevados de pressão arterial sistólica foram associados a um pior desempenho em tarefas de desconto de atraso, que medem a preferência por recompensas imediatas em vez de ganhos maiores no futuro.
Os 2 grupos mais ativos apresentaram melhores resultados em 3 dos 4 testes cognitivos em comparação com o grupo menos ativo. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos no teste de reconhecimento de emoções faciais.
Embora os efeitos individuais sejam considerados pequenos, os autores destacam que o impacto acumulado ao longo de anos pode ser significativo.