
Demandas por esclarecimento marcam os 40 anos da morte de Samora Machel

Moçambique e África do Sul marcaram na segunda-feira (19) os 40 anos da morte de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, com uma cerimónia conjunta em Mbuzini, na província sul-africana de Mpumalanga, local da queda do avião presidencial em 1986.
A homenagem contou com a presença do presidente moçambicano Daniel Chapo e com a representação do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, na figura de seu ministro de Relações Internacionais Ronald Lamola, além de governantes, diplomatas, veteranos das lutas de libertação e familiares das vítimas.
O desastre aéreo ocorreu quando o Tupolev Tu-134A regressava de uma cúpula regional na Zâmbia, vitimando 35 pessoas, entre membros da delegação presidencial, jornalistas, diplomatas e tripulantes. Quatro décadas depois, as circunstâncias permanecem controversas.

A comissão de inquérito do juiz sul-africano Cecil Margo atribuiu o acidente a falhas da tripulação, conclusão contestada pela delegação soviética, que levantou a hipótese de um falso radiofarol ter desviado a aeronave. A Comissão de Verdade e Reconciliação sul-africana examinou posteriormente novos testemunhos, sem estabelecer uma explicação definitiva.
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Preservação da memória
Durante a cerimônia, Daniel Chapo exigiu o esclarecimento das circunstâncias da tragédia, defendendo o direito das famílias e dos povos moçambicano e sul-africano de conhecerem a verdade.
“Preservar a memória exige que continuemos buscando respostas. Quarenta anos depois, a memória exige respeito", afirmou.
Chapo reiterou o compromisso com a dignificação das vítimas e destacou o legado de Machel na luta de libertação, na construção do Estado moçambicano e na solidariedade com os povos que combateram o colonialismo e o apartheid. Por sua vez, Ronald Lamola enalteceu os laços históricos entre os dois países, recordando que a tragédia simboliza os sacrifícios partilhados pela libertação da África Austral.
"A tragédia permanece uma das páginas mais dolorosas da história da nossa luta de libertação", declarou Lamola.
O filho do revolucionário, Samora Machel Jr., apelou à preservação do legado paterno, defendendo o diálogo para resolução de conflitos, a gestão responsável das riquezas nacionais e uma sociedade livre de tribalismo, regionalismo, nepotismo e corrupção.
O presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, também prestou tributo, defendendo que África deve silenciar as armas e acelerar a industrialização, em consonância com os ideais de Machel.
