
Guerra no Iêmen arrasta maior exército do mundo árabe para o conflito

O conflito entre o Ansar Allah (movimento houthi), as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita está se intensificando e se expandindo cada vez mais para além do território do Iêmen.
A Turquia e o Paquistão já se comprometeram em defender o reino saudita.
Agora, o Egito, que também tem questões pendentes com os houthis, considera a possibilidade de intervir. O Cairo afirma que só agirá se Riad solicitar, mas já tomou as primeiras medidas para viabilizar essa possibilidade.
Cairo se prepara para possível intervenção
O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, cujo país possui o maior exército do mundo árabe, afirmou no sábado (17) que o Egito está disposto a ajudar a defender a Arábia Saudita dos ataques houthis caso seja solicitado, informou o Dawn no domingo (18).
O mandatário declarou que Cairo "não busca ter protagonismo" nos conflitos regionais, mas considera "inconcebível" que o Egito fique de braços cruzados enquanto a Arábia Saudita "sofre danos ou tem sua segurança e estabilidade ameaçadas".

Al-Sisi explicou que qualquer envio de forças exigiria a aprovação do Parlamento e disse que espera que os parlamentares se reunirão em uma sessão extraordinária para autorizar o apoio "caso sejamos solicitados".
A sessão ocorreu no domingo (18). Em seguida, o Conselho de Defesa Nacional se reuniu para anunciar que Cairo está disposto a oferecer "todo o apoio necessário e possível à Arábia Saudita para defender sua segurança e estabilidade".
Um escudo para Riad
Os especialistas concordam que os esforços do Egito provavelmente se limitarão à proteção de instalações sauditas.
O analista militar e de defesa Alexandru Hudisteanu considera muito provável que, caso a decisão seja autorizada, sejam utilizados sistemas antidrones e recursos de defesa antimísseis.
"Essa seria a necessidade mais urgente neste momento para garantir que a defesa da Arábia Saudita receba apoio e seja reforçada", declarou à Al Jazeera no domingo (18).
Thomas Bonnie James, analista político e especialista em estudos do Golfo Pérsico, considera improvável que o país envie tropas para a linha de frente.
"O que o Egito não quer é enviar tropas ao Iêmen. A intervenção de Nasser naquele país na década de 1960 deixa uma mensagem clara: defender o reino, não assumir o controle do Iêmen", afirmou.
Uma possível intervenção militar representaria um afastamento da política externa historicamente conservadora do Egito, que sempre priorizou a proteção de sua própria segurança nacional, segundo informações publicadas neste domingo (18) pelo jornal The Telegraph.
O custo de Suez
Cairo tem suas próprias pendências com o grupo iemenita. "A pressão dos houthis sobre Bab el-Mandeb ameaça o Canal de Suez, que, segundo o ministro das Relações Exteriores do Egito, acumulou perdas de cerca de 11 bilhões de dólares desde o início dos ataques em 2023", afirmou Thomas Bonnie James.

A decisão também é importante para Cairo porque milhões de egípcios vivem e trabalham na Arábia Saudita, principal fonte de remessas de dinheiro para o Egito.
Além disso, após a visita de Mohammed bin Salman ao Cairo (príncipe herdeiro e primeiro-ministro da Arábia Saudita) em 15 de setembro, os dois lados chegaram a um acordo preliminar sobre novos investimentos sauditas superiores a 10 bilhões de dólares e a prorrogação de um depósito de 5,3 bilhões de dólares no Banco Central do Egito, de acordo com o portal egípcio Al Manassa. O prazo para a devolução desse depósito venceria inicialmente no começo de outubro.
Pressão regional e o alerta dos houthis
O Egito também não quer ser visto como um aliado regional que fica à margem enquanto outros países defendem o reino saudita. A Turquia e o Paquistão já assumiram seus próprios compromissos após ativarem o pacto de defesa de Meca, assinado em agosto, em meio à deterioração da segurança no Oriente Médio.
Em 13 de agosto, Cairo aderiu a uma coalizão naval liderada pela Arábia Saudita criada depois que os houthis anunciaram um bloqueio à navegação saudita. No entanto, segundo uma análise do The National divulgada no domingo (18), o envolvimento no conflito e no pacto poderia deteriorar as relações do Egito com o Irã.
Yahya al-Rai, presidente do Parlamento controlado pelos houthis, já fez um alerta a Cairo. "Rejeitamos categoricamente que o Egito seja arrastado" para "a mesma trincheira que as forças takfiristas e a entidade de ocupação israelense", escreveu.
Esse caminho "representaria um grave perigo para sua segurança nacional", afirmou, instando o Cairo a adotar uma "postura corajosa".


