
EUA querem a retomada do gás russo para a Europa —NYT

Os Estados Unidos estudam um novo plano para viabilizar um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia.
A proposta prevê ampliar as compras de gás russo pelos países europeus e permitir que a Ucrânia retome o trânsito do combustível para a União Europeia (UE) por meio de gasodutos que eram utilizados para esse fim, informou o New York Times no sábado, citando fontes.
A iniciativa faz parte de uma série de medidas promovidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para facilitar as negociações entre Moscou e Kiev.
O plano busca oferecer incentivos econômicos à Rússia como parte de um acordo mais amplo para encerrar o conflito. Entre as medidas em discussão estão a flexibilização das restrições às exportações russas de diesel, além de mudanças nas sanções e tarifas impostas ao país.
Segundo as fontes ouvidas pelo jornal, Washington acredita que a retomada das exportações de gás russo para a Europa poderia criar condições econômicas mais favoráveis à negociação de paz.

Proposta discutida com Kiev
Os enviados especiais de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, teriam discutido a possibilidade de restabelecer o trânsito de gás russo para a Europa através da Ucrânia em conversas com autoridades europeias e ucranianas.
Segundo o jornal, a proposta também foi discutida com Zelensky, durante a visita dos enviados americanos a Kiev, em setembro.
O plano incluiria ainda questões relacionadas às relações entre a Rússia e a OTAN, garantias de segurança para a Ucrânia e resolução de disputas territoriais.
Crise energética
Tanto a decisão da União Europeia de encerrar a importação de hidrocarbonetos russos baratos quanto a impossibilidade de receber gás diretamente pelo gasoduto Nord Stream, explodido em 2022, provocaram uma crise energética no bloco europeu, sobretudo na Alemanha.
A recente escalada das tensões no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo e do gás.
Como resultado, a Europa enfrenta custos de energia ainda mais elevados, pressão sobre as famílias e as empresas, fechamento de unidades industriais, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.
Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma das crises mais profundas das últimas décadas.
A fabricação de automóveis exige enormes quantidades de energia, especialmente na produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias.
Como consequência, o encarecimento da energia repercutiu em toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.
Diversas grandes marcas do setor automotivo, entre elas BMW, Porsche e Volkswagen, realizaram amplos cortes de pessoal.
