
Enviado do Kremlin aponta 'razão-chave' para manifestações violentas na Europa

O diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto e enviado especial da Presidência russa, Kirill Dmitriev, afirmou que os altos preços da energia na Europa, provocados pelo abandono do fornecimento de energia russo, são um dos principais motivos dos protestos e distúrbios na região.
"Como era de se esperar, os altos custos de energia na Europa, decorrentes do desligamento da energia russa, são um dos principais motivos dos distúrbios protagonizados por esquerdistas e migrantes", escreveu Dmitriev no X.
O representante também atribuiu a tensão social à imigração descontrolada e à incapacidade das autoridades da União Europeia de reconhecer seus erros e corrigir "decisões catastróficas".

No sábado (17), ocorreram saques e ataques a prédios públicos em várias cidades da França. Cerca de 1,2 mil pessoas foram presas e 150 agentes das forças de segurança ficaram feridos. Protestos em grande escala também foram registrados em outros países europeus, como Itália e na Albânia, nos últimos dias.
Histeria europeia
O recente acordo energético entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos provocou uma onda de críticas por parte de líderes europeus.
Imersos nem uma "histeria antirrussa", tais figuras reagiram com a promessa de endurecer ainda mais as restrições econômicas contra Moscou.
Segundo o acordo, a Rússia exportará imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para o mercado americano, volume que deverá aumentar gradualmente. Para viabilizar a operação, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções sobre o combustível russo até abril de 2027.
Por sua vez,o lado russo anunciou que começará a suspender imediatamente as restrições à exportação de diesel, antecipando os prazos inicialmente previstos.
Nesse contexto, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou a Europa de hipocrisia. Ele criticou o bloco por repreender Washington por fechar acordos comerciais com Moscou em meio ao conflito ucraniano, enquanto seus próprios membros continuam comprando energia russa por dependência.
"Desde o início desta guerra, os europeus deram mais dinheiro aos russos do que aos ucranianos, porque não conseguem deixar de depender da energia russa. Sua política energética fracassou, e eles continuam financiando Vladimir Putin. Portanto, dizer que não podemos ter um alívio nos preços do diesel é uma hipocrisia completa", declarou.
Enquanto isso, Dmitriev, lembrou que, desde 2022, a Europa recebeu cerca de 320 bilhões de dólares em fornecimento de energia russa. "A espantosa hipocrisia dos burocratas da UE que criticam o acordo entre os EUA e a Rússia sobre o diesel", enfatizou.
Crise energética
Tanto a decisão da União Europeia de romper, de modo geral, com o fornecimento de hidrocarbonetos russos baratos quanto a impossibilidade de receber gás diretamente pelo gasoduto Nord Stream, explodido em 2022, provocaram uma crise energética no bloco europeu, sobretudo na Alemanha.
A recente escalada das tensões no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo e do gás. Como resultado, a Europa enfrenta custos de energia ainda mais elevados, pressão sobre as famílias e as empresas, fechamento de unidades industriais, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.
Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma das crises mais profundas das últimas décadas.
A fabricação de automóveis exige enormes quantidades de energia, especialmente na produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias.
Como consequência, o encarecimento da energia repercutiu em toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.
Nesse contexto, diversas marcas conhecidas do setor automotivo, entre elas BMW, Porsche e Volkswagen, realizaram amplos cortes de pessoal.


