
Merz volta a defender serviço militar obrigatório para os jovens na Alemanha; entenda

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, voltou a ponderar neste sábado (17) a possibilidade de restabelecimento do serviço militar obrigatório no país.

"Não foi por acaso que incluímos o restabelecimento do serviço militar obrigatório em nosso programa de princípios, em grande parte por iniciativa da União Jovem. Senhoras e senhores, todos nós temos, cada vez mais, a sensação de que não será possível abrir mão de uma obrigação desse tipo", afirmou.
O chanceler alegou que uma grande parte dos representantes das novas gerações — tanto homens quanto mulheres jovens — apóia a medida, uma opinião em contradição com manifestações recentes contra a imposição do serviço militar obrigatório.
"Pelo menos, é isso que observo nos grupos de visitantes que recebo em Berlim. É algo que vejo e ouço constantemente. Pergunto a eles e costumo realizar votações: quem é a favor e quem é contra? Geralmente, obtenho maiorias de dois terços ou até mesmo de três quartos" disse Merz
Mito da "ameaça russa"
A tendência de militarização debatida tanto na Alemanha quanto em outros países da OTAN, que estão se rearmando e investindo recursos em defesa, se sustenta sob o pretexto de uma suposta "ameaça russa". No entanto, Moscou rejeitou categoricamente essa narrativa em diversas ocasiões, especialmente quando apresentada por líderes europeus.
Durante a sessão plenária do Clube Valdai, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que "a Rússia não vai atacar ninguém nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050".
O mandatário russo explicou as razões da "constante escalada de tensão por parte de muitos países europeus" em relação à suposta ameaça russa.
"Isso se deve a uma grave deterioração da situação econômica e de política interna nesses países", sustentou.
"Vejam o que está acontecendo com a economia, vejam o que acontece com a política social e com o nível de vida dos cidadãos dos principais Estados europeus. Nessas circunstâncias, eles precisam urgentemente desviar o foco de atenção de seus cidadãos dos problemas internos para problemas de caráter externo", acrescentou Putin.
Ao comentar as declarações do chefe da inteligência alemã sobre um possível conflito armado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as classificou como "absolutamente infundadas".
"Isso é, por assim dizer, um recurso informativo: a criação artificial de um inimigo efêmero para justificar os gastos de militarização em que está incorrendo a República Federal da Alemanha", afirmou Peskov.

