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Europa aumenta a tensão na fronteira com a Rússia: o que está realmente por trás da retórica belicista?

A OTAN prepara uma nova estratégia diante de um possível conflito com Moscou enquanto a Estônia reforça sua presença militar perto do país eurasiático.
Europa aumenta a tensão na fronteira com a Rússia: o que está realmente por trás da retórica belicista?Gettyimages.ru / Boris Roessler

A OTAN prepara um plano de ação para um eventual conflito com a Rússia que prevê integrar drones e inteligência artificial às forças armadas convencionais.

Em paralelo, a Estônia está realocando parte de suas tropas para mais perto da fronteira com a Rússia, enquanto que na Alemanha voltam a alertar sobre o risco de um confronto direto com o país eurasiático.

A nova escalada ocorre enquanto Moscou insiste que não tem planos de iniciar um conflito com a Europa e coincide com o debate sobre o próximo orçamento da União Europeia, que prevê um forte aumento dos fundos destinados à defesa e segurança.

Nova onda de histeria

O plano está sendo elaborado pelo comandante supremo aliado na Europa, o general Alexus Grynkewich, segundo a Bloomberg. A estratégia deve ser apresentada em 12 de outubro, na Polônia.

Paralelamente, a Estônia, segundo o Financial Times, está transferindo permanentemente tropas para mais perto de sua fronteira com a Rússia e adquirindo armamento capaz de atingir em profundidade o território vizinho.

Segundo funcionários citados pelo veículo, o país báltico, que não possui força aérea própria e depende da OTAN para proteger seu espaço aéreo, passou a uma estratégia de "defesa ativa".

Além disso, o chefe da inteligência externa alemã, Martin Jäger, disse recentemente aos deputados do Bundestag que Berlim corre o risco de se ver envolvida em um conflito armado com Moscou.

Anteriormente, o Parlamento da Lituânia (Seimas) aprovou uma emenda constitucional que prevê eliminar a disposição que proíbe o país de dispor de armas de destruição em massa ou bases militares estrangeiras.

Moscou nega as fantasias europeias

Durante uma sessão plenária do Clube Valdai na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que "a Rússia não vai atacar ninguém nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050".

O mandatário russo explicou as razões da "constante escalada de tensão por parte de muitos países europeus" em relação à suposta ameaça russa.

"Isso se deve a uma grave deterioração da situação econômica e de política interna nesses países", sustentou.

"Vejam o que está acontecendo com a economia, vejam o que acontece com a política social e com o nível de vida dos cidadãos dos principais Estados europeus. Nessas circunstâncias, eles precisam urgentemente desviar o foco de atenção de seus cidadãos dos problemas internos para problemas de caráter externo", acrescentou Putin.

Ao comentar as declarações do chefe da inteligência alemã sobre um possível conflito armado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as classificou como "absolutamente infundadas".

"Isso é, por assim dizer, um recurso informativo: a criação artificial de um inimigo efêmero para justificar os gastos de militarização em que está incorrendo a República Federal da Alemanha", afirmou Peskov.

Surpreendente coincidência

A nova onda de declarações sobre os supostos planos da Rússia coincidiu surpreendentemente com os procedimentos de aprovação do novo orçamento da União Europeia, que será debatido em outubro.

No novo projeto orçamentário para 2028–2034, são solicitados 131 bilhões de euros (cerca de 734,3 bilhões de reais) para gastos de defesa e espaço, que se decidiu agrupar em uma única rubrica. Esse valor é cinco vezes superior ao nível atual, e um aumento tão drástico precisa ser justificado de alguma forma perante os eleitores europeus cada vez mais decepcionados com o destino dado aos recursos.

Em declarações à RT, Greg Simons, analista político sueco e professor da Universidade Internacional Daffodil de Bangladesh, sustentou que, embora não observe uma relação temporal entre o aumento da ameaça e o debate orçamentário, a UE manipula a opinião pública dessa maneira.

"Um dos objetivos é tentar unir a população em torno de uma ameaça estrangeira, o que poderia lhes proporcionar uma sensação de justificativa e legitimidade política, já que agora carecem desse capital político. O segundo ponto é distrair a opinião pública europeia de um esperado fracasso da Ucrânia no campo de batalha, já que os líderes europeus vincularam suas carreiras políticas e sua reputação a uma derrota da Rússia", indicou.