Jan Pfadenhauer, delegado da Junge Union (JU) — a organização juvenil dos conservadores alemães CSU/CDU —, criticou duramente, neste sábado (17), o chanceler Friedrich Merz e sugeriu que ele renunciasse, devido à sua má gestão do país.
"Prezado senhor chanceler federal, muito obrigado pelo seu discurso. O senhor disse muitas coisas muito, muito acertadas, como de costume. Seus discursos são, na verdade, sempre muito bons, e os anúncios que o senhor faz neles também são sempre muito bons. Mas a questão é: o que o senhor faz, afinal?"
"Lamentavelmente, devo dizer que, nos últimos dois anos, o senhor liderou — seja de propósito ou por descuido — uma verdadeira campanha de assalto contra a geração mais jovem no que diz respeito à política de previdência. Seja pela dívida pública do ano passado, que o senhor aprovou sob pressão do SPD, ou pelo pacote previdenciário — contra o qual, de fato, lutamos aqui e cujas objeções foram simplesmente ignoradas", afirmou.
Pfadenhauer disse que "muitas pessoas em nosso país que afirmam não confiar mais no senhor", e que isso se reflete nos resultados das pesquisas, mencionando um levantamento recente mostrou que apenas 10% da população apoia o chanceler.
Pfadenhauer lembrou que esse é o mesmo nível de confiança que a ex-primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, tinha nos últimos dias de seu mandato. Truss permaneceu no cargo por apenas 50 dias, um recorde negativo, e seu mandato é lembrado como um dos mais mal-sucedidos da história do país.
"Por isso, preciso lhe perguntar: se, como o senhor bem disse em seu discurso, seu país e seu partido são tão importantes para o senhor, por que não pega seu carro oficial, vai encontrar o presidente federal e pede que ele o demita?", sugeriu.
Resposta de Merz
Merz, por sua vez, não respondeu diretamente às exigências de que deixasse o cargo. Ele indicou que compreendia o descontentamento e que levava a sério a urgência da reforma da previdência.
"A reforma da previdência já está em andamento. O que chamamos de 'aposentadoria ativa' já está em vigor e sendo utilizado", disse ele.
Recordes de impopularidade
Recentemente, uma pesquisa representativa realizada com 2.002 pessoas pela Ipsos para a Der Spiegel, entre 30 de setembro e 4 de outubro, mostrou que 67% dos alemães consideram que o período de Friedrich Merz como chanceler da Alemanha "fracassou".
Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), também tem sofrido derrotas. Em setembro, a legenda ficou de fora de um parlamento regional pela primeira vez na história da Alemanha, ao não alcançar pelo menos 5% dos votos nas eleições estaduais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O partido obteve apenas 4,9%, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD) liderou a disputa eleitoral com mais de 38,2%.