Governo Trump diz apoiar eleições no Brasil e defende sanções contra Moraes e facções

Em carta obtida pelo portal g1, o Departamento de Estado justifica medidas contra ministro do STF e PCC e CV; documento responde a parlamentares que acusaram Washington de interferência eleitoral.

O governo de Donald Trump afirmou apoiar eleições livres e justas no Brasil, mas voltou a defender sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

As informações são do portal g1, que teve acesso a uma carta do Departamento de Estado norte-americano, comandado por Marco Rubio, assinada na quinta-feira (15).

O documento responde a uma carta enviada em setembro por 31 deputados dos Estados Unidos, que acusaram a Casa Branca de tentar interferir nas eleições brasileiras por meio de medidas econômicas, políticas e diplomáticas em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Na resposta, o departamento afirmou que manterá relações com o próximo governo eleito. "Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade nos dois países", declarou.

Sanções a Moraes, PCC e CV

O governo Trump também justificou as sanções impostas a Moraes com base na Lei Magnitsky, em julho de 2025, alegando que o ministro cometeu "graves violações dos direitos humanos" e comprometeu a liberdade de expressão. O nome do magistrado foi retirado da lista de sancionados em dezembro daquele ano.

Sobre o PCC e o CV, o Departamento de Estado afirmou que as facções são violentas e representam ameaças aos Estados Unidos e à segurança regional. Segundo o órgão, as medidas fazem parte do compromisso de Trump de combater organizações criminosas.

Após o primeiro turno das eleições, em 6 de outubro, outros 12 deputados americanos também acusaram o governo Trump de tentar influenciar o resultado eleitoral e alertaram para o risco de deterioração das relações bilaterais.