A China defendeu nesta sexta-feira (16) o princípio de "Palestinos governando a Palestina" como um dos pilares para a resolução do conflito no Oriente Médio, em discurso que chega muito próximo ao defendido repetidamente pela Rússia para a região.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, reafirmou o apoio de Pequim à solução de dois Estados e pediu a implementação efetiva do cessar-fogo na Faixa de Gaza e a garantia de acesso humanitário.
"A questão palestina está no cerne da questão do Oriente Médio, e a solução de dois Estados é a saída fundamental para a questão palestina", declarou Mao durante entrevista coletiva.
Segundo a porta-voz, as tensões persistentes na Faixa de Gaza e na Cisjordânia não devem desviar a atenção internacional da questão palestina. "Acreditamos que o conflito regional não deve desviar a atenção internacional da questão palestina", afirmou. Ela também defendeu que "o acordo de cessar-fogo relativo a Gaza deve ser efetivamente implementado e o acesso humanitário deve ser garantido".
Nações amantes da paz
A posição chinesa converge com a da Rússia, que também defende a solução de dois Estados e critica a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Na quinta-feira (15), o representante permanente russo na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzia, afirmou que a resolução da questão palestina é decisiva para a segurança e a estabilidade do Oriente Médio.
"Consideramos crucial manter o foco do Conselho de Segurança nessa questão, pois sua resolução determinará, em grande parte, senão totalmente, a segurança, a estabilidade e a prosperidade do Oriente Médio a longo prazo", declarou Nebenzia durante um debate aberto do Conselho de Segurança.
Ao reiterar a disposição de Pequim para atuar em conjunto com outros países, Mao declarou que a "China continuará a defender a justiça internacional e, juntamente com todas as nações amantes da paz, apoiará firmemente a solução de dois Estados e trabalhará por uma solução abrangente, justa e duradoura para a questão palestina o mais brevemente possível".
Quatro princípios chineses
Mao Ning destacou que o presidente chinês, Xi Jinping, apresentou recentemente quatro princípios para a resolução da questão palestina: a defesa da solução de dois Estados, o princípio de "Palestinos governando a Palestina", a defesa do humanitarismo e a defesa da equidade e da justiça.
"Estes princípios refletem o sentido de responsabilidade da China enquanto grande potência no que diz respeito à questão palestina e incorporam o apelo da comunidade internacional por justiça", afirmou a porta-voz.