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Polícia Federal aponta emendas de R$ 80 milhões e articulação política na gestão de Márcio Canella

Anotação encontrada no celular de Canella cita dois deputados em registro sobre emendas, mas documentos não comprovam que eles tenham indicado os recursos.
Polícia Federal aponta emendas de R$ 80 milhões e articulação política na gestão de Márcio CanellaDivulgação/Prefeitura de Belford Roxo

A Polícia Federal (PF) identificou R$ 80 milhões em emendas de comissão destinadas a Belford Roxo durante a gestão de Márcio Canella, ex-prefeito preso na quinta-feira (15), e reuniu indícios de sua atuação como articulador político de uma organização criminosa investigada por movimentar recursos ilícitos, publicou O Globo.

Os valores foram registrados como emendas de liderança do União Brasil, sem identificação nominal dos parlamentares responsáveis pelas indicações.

No celular de Canella, a PF encontrou uma anotação com as referências "Emendas / 20 Pedro 20 Mota", associadas pelos investigadores aos deputados Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota, ambos do União Brasil.

Os documentos, porém, não esclarecem o significado dos números nem comprovam que os parlamentares tenham indicado os recursos.

Também não há demonstração de que o dinheiro das emendas tenha sido desviado ou financiado a rede de postos investigada.

Barricadas e projeção política

A investigação também visa o programa Barricada Zero, usado por Canella para divulgar ações de retirada de barricadas em Belford Roxo e promover sua atuação política.

Em áudio citado pela PF, o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa conversa com José Severino da Silva Júnior, conhecido como Soró ou Jetta e apontado pelos investigadores como chefe do Comando Vermelho (CV) no município, sobre a retirada das estruturas.

Na gravação, o policial afirma: "Quem organiza isso tudo sou eu".

A PF atribui a Canella o papel de intermediário entre integrantes dos núcleos econômico e institucional do grupo.