
Força Aérea Brasileira veta acesso a lista de passageiros de jato de Vorcaro por 100 anos

A Força Aérea Brasileira (FAB) decidiu manter sob sigilo de até 100 anos a lista de passageiros de uma aeronave do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, informou a coluna no Metrópoles nesta quinta-feira (15).

Em resposta a um pedido da coluna via Lei de Acesso à Informação (LAI), o Comando da Aeronáutica alegou que é preciso preservar "a intimidade e a vida privada" dessas pessoas e citou o artigo 31 da LAI, que prevê o sigilo centenário.
O pedido solicitava o plano de voo da aeronave PS-FST entre 10 e 20 de novembro de 2025, período em que Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos antes de embarcar rumo a Malta, na Europa.
O Comando da Aeronáutica justificou a decisão afirmando que o itinerário "permite associar deslocamentos aos dirigentes, sócios e demais usuários da aeronave" e que o histórico de planos de voo "permite o rastreamento retrospectivo e a construção de perfil de deslocamento dessas pessoas".
Outros órgãos usaram o mesmo mecanismo
O caso não é isolado. O Exército negou em agosto a lista de escolha para promoção de oficiais generais enviada ao presidente, alegando tratar-se de "informações de caráter reservado".
O Banco do Brasil usou o mesmo artigo para esconder os nomes dos visitantes da presidência da estatal, e a Secom barrou a divulgação dos nomes de autoridades que fizeram media training desde 2021.
O que Lula prometeu sobre os sigilos de 100 anos
Em 2022, Lula prometeu acabar com os sigilos de 100 anos, usados pelo governo Bolsonaro para esconder processos do Exército, visitantes dos palácios e o cartão de vacinação.
"Não haverá sigilo de 100 anos nem de 10 anos nem de um dia", disse ele na época. A Controladoria-Geral da União (CGU) retirou sigilos específicos, mas o dispositivo que prevê o sigilo centenário, no entanto, segue em vigor.
O caso Vorcaro
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para a Europa.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, e a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco estados e no DF.

