Kremlin: Diesel russo começa a chegar aos mercados globais

No entanto, o porta-voz afirmou que a Europa ainda "mantém uma postura destrutiva" em relação ao acordo energético.

O porta-voz da presidência da Rússia, Dmitry Peskov, disse nesta quinta-feira (15) que o diesel russo já começou a chegar aos mercados globais, o que poderia ajudar a estabilizar a situação em torno do aumento do combustível.

O porta-voz explicou que os mercados globais de energia e petróleo estão atualmente passando por uma "grande tensão" e que, em parte, se deve à incapacidade da Rússia de trazer volumes consideráveis de seu petróleo e derivados para os mercados de exportação diante das sanções.

Nesse sentido, ele ressaltou a importância do acordo recente assinado com os EUA e indicou que a disponibilidade do combustível russo "contribuirá, em certa medida, para estabilizar os mercados de petróleo". "Embora, sendo realista, não seja suficiente para alcançar uma estabilização completa", reconheceu.

Por outro lado, Peskov observou que a Europa "mantém uma postura destrutiva", em vez de "celebrar o acordo". "Eles o submeteram - assim como o presidente Trump, a título pessoal, e à decisão do governo norte-americano - a duras críticas", afirmou e acrescentou que ultimamente os países europeus têm agido "sistematicamente como uma parte belicista".

Histeria europeia

O recente acordo energético entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos provocou uma onda de críticas por parte de líderes europeus.

Imersos nem uma "histeria antirrussa", eles reagiram prometendo endurecer ainda mais as restrições econômicas contra Moscou.

Segundo o acordo, a Rússia exportará imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para o mercado americano, volume que deverá aumentar gradualmente. Para viabilizar a operação, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções sobre o combustível russo até abril de 2027.

Por sua vez,o lado russo anunciou que começará a suspender imediatamente as restrições à exportação de diesel, antecipando-se aos prazos inicialmente previstos.

Nesse contexto, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou no domingo (11) a Europa de hipocrisia. Ele criticou o bloco por repreender Washington por fechar acordos comerciais com Moscou em meio ao conflito ucraniano, enquanto seus próprios membros continuam comprando energia russa por dependência.

"Desde o início desta guerra, os europeus deram mais dinheiro aos russos do que aos ucranianos, porque não conseguem deixar de depender da energia russa. Sua política energética fracassou, e eles continuam financiando Vladimir Putin. Portanto, dizer que não podemos ter um alívio nos preços do diesel é uma hipocrisia completa", declarou. 

Enquanto isso, o enviado especial da Presidência da Rússia, Kirill Dmitriev, lembrou que, desde 2022, a Europa recebeu cerca de 320 bilhões de dólares em fornecimento de energia russa. "A espantosa hipocrisia dos burocratas da UE que criticam o acordo entre os EUA e a Rússia sobre o diesel", enfatizou.