O governo da Costa Rica está seguindo o modelo penitenciário de El Salvador e inaugurou sua primeira megaprisão, com capacidade para mais de 5 mil detentos, em meio ao aumento da criminalidade, atribuído pelas autoridades ao narcotráfico, informou o jornal costarriquenho La Nación nesta quarta-feira (14).
A estratégia punitiva ganhou espaço na América Latina. O presidente salvadorenho Nayib Bukele participou do início das obras e afirmou que o projeto seguia o modelo do Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em seu país.
"O grande problema aqui é o enfraquecimento do discurso da democracia, da tolerância, dos direitos humanos, que agora são vistos como elementos que restringem ou prejudicam uma atuação correta do Estado ou dos governos frente à ação criminosa", avaliou o especialista Daniel Pontón em entrevista à RT.
Segundo ele, o modelo ganhou força após a expressiva redução dos índices de criminalidade em El Salvador.
Alerta para violações de direitos humanos
Organizações sociais e defensores dos direitos humanos alertam para o risco de violações dos direitos dos presos.
No Equador, uma prisão abriga tanto detentos de alta periculosidade quanto opositores do presidente Daniel Noboa, incluindo o prefeito de Guayaquil, Aquiles Álvarez, e o ex-vice-presidente Jorge Glas. Há denúncias de violações do direito à defesa e à saúde, segundo o portal Primicias.
Enquanto isso, o presidente equatoriano prometeu construir uma prisão nos moldes do Cecot, com capacidade para 15 mil pessoas.
Os governos de Raúl Mulino, no Panamá, e Keiko Fujimori, no Peru, também anunciaram planos para construir unidades semelhantes.