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Indústria da solidão movimenta US$ 7,4 bilhões na China e vende companhia como serviço

"Falar com a TV" virou rotina para idosos que moram sozinhos em Pequim, enquanto empresas cobram para oferecer o que a família e os amigos já não garantem.
Indústria da solidão movimenta US$ 7,4 bilhões na China e vende companhia como serviçoGettyimages.ru

A China consolidou um mercado bilionário de companhia paga, avaliado em cerca de US$ 7,4 bilhões em 2025 pela corretora de valores Sinolink, segundo reportagem do correspondente da BBC publicada na quarta-feira (14).

O setor reúne desde entregadores que visitam idosos duas vezes ao dia até acompanhantes médicos para jovens profissionais recém-chegados às grandes cidades.

Por trás desse mercado está a solidão que atravessa gerações no país.

Idosa de 91 anos cogitou eutanásia

O caso mais emblemático é o de Yang, 91 anos, que vive na periferia de Pequim e, após a morte do marido, chegou a cogitar eutanásia voluntária.

"Às vezes, quando eu queria falar com alguém, falava com a TV", contou ela à BBC.

Com glaucoma e visão deteriorada, diz que sua rotina mudou depois que a equipe de Wang Yingwei passou a levar refeições quentes, consertar eletrodomésticos e instalar filtros de água.

"Nós nos vemos como filhos da comunidade", afirmou Yingwei.

"Os idosos nos tratam como filhos, e nós os tratamos como nossos próprios pais", acrescentou Yingwei, que cobra menos da metade do preço de um cuidador integral.

Jovens também pagam por companhia

O fenômeno também alcança os mais jovens. Liu Yanyan, 23 anos, trabalha como acompanhante médica para clientes na casa dos 20 que evitam pedir favores a colegas por causa da reciprocidade social.

Já Wang Zhoutao guia trilhas no Monte Huangshan oferecendo apoio emocional e fotos, e afirma que seus clientes são, em geral, pessoas que sentem um vazio nas relações ou sofreram algum revés.

Para Teresa Kuan, professora associada da Universidade Chinesa de Hong Kong, a companhia paga oferece uma relação mais previsível do que a amizade tradicional: "Você não precisa lidar com a imprevisibilidade de um relacionamento comum".