
Policial é acusado após estudante perder olho em protesto na França

Um policial foi acusado nesta terça-feira (13) por "violência agravada" e colocado sob controle judicial após um estudante de 16 anos perder o olho direito durante os protestos estudantis em Tours, segundo o comunicado da procuradora Catherine Sorita-Minard, divulgado no X.
Ele também está proibido de portar ou manter um LBD (arma não letal que dispara balas de borracha).
O caso ocorreu em 30 de setembro, quando Maël, de 16 anos, participava de uma manifestação. Ele sofreu um traumatismo no olho direito "compatível com o impacto de uma bola de defesa do tipo LBD".

A investigação da Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) analisou imagens de dez câmeras e revelou que "dois disparos de LBD foram feitos com um minuto de intervalo por dois policiais diferentes".
A procuradora afirmou que as investigações ainda deixam dúvidas sobre se o uso do LBD respeitou as condições legais de "absoluta necessidade e estrita proporção" — ou seja, se o disparo era realmente indispensável e se a força usada foi compatível com a ameaça.
O policial que fez o primeiro disparo foi acusado com proibição de portar ou manter um LBD. O segundo policial recebeu o status de "testemunha assistida" — uma posição intermediária no direito francês, em que a pessoa não é formalmente acusada, mas já tem direito a advogado e pode virar acusado se as investigações avançarem. Quatro agentes foram ouvidos sob custódia, e as investigações continuam.
França passa por onda de protestos estudantis
O caso ocorre em meio a uma onda de protestos que se espalhou pelo país.
Os alunos denunciam falta de professores, instalações deterioradas, salas infestadas de ratos e turmas superlotadas.
Segundo o Ministério da Educação, 375 escolas tiveram atividades suspensas.
Os protestos também são marcados pela violência policial: mais de 6.500 pessoas, em sua maioria menores, foram detidas desde o início da mobilização. Na segunda-feira (5), um jovem de 15 anos perdeu uma mão após o lançamento de uma granada de efeito moral.
O governo suspendeu o uso do armamento e abriu 18 investigações sobre possíveis abusos policiais.
Os protestos coincidem com uma greve nacional do setor público contra o orçamento de Macron, que prevê cortes de 54 bilhões de euros e o congelamento dos salários-base dos servidores em 2027.

