
Argentina reforça poder naval com nova base em Ushuaia em meio às tensões pelas Malvinas

O governo da Argentina anunciou, na terça-feira (13), progresso no projeto de construção de uma base naval integrada em Ushuaia, província da Terra do Fogo, que contará com proteção aérea de caças F-16 e uma aeronave de patrulha marítima P-3 Orion.

O anúncio foi feito pelo porta-voz presidencial, Adrián Ravier, durante uma coletiva de imprensa na Casa Rosada, em meio às crescentes tensões com o Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas e pela exploração de seus recursos naturais.
Ravier informou que o Ministério da Defesa autorizou, por meio da Resolução 704/2026, a abertura de licitação pública nacional para a construção do cais militar da Base Naval Integrada de Ushuaia, um dos componentes centrais do complexo. A medida, publicada no Boletim Oficial, também contempla a aprovação das especificações técnicas e das plantas da obra.
O projeto do cais conta com um orçamento oficial de 189,321 bilhões de pesos (cerca de 123,3 milhões de dólares) e um prazo de execução previsto de 36 meses. Segundo o porta-voz, essa infraestrutura permitirá transformar a localização estratégica de Ushuaia em uma capacidade efetiva de operação, sustentação e apoio logístico para as Forças Armadas argentinas.
A instalação será um ponto estratégico para as operações do país no Atlântico Sul e contribuirá para reforçar a vigilância de seus recursos naturais. "Isso proporcionará ao nosso país proteção naval e aérea, com uma aeronave de patrulha marítima P-3 Orion e os novos caças F-16", afirmou Ravier, destacando que a base também oferecerá apoio às operações logísticas argentinas na Antártida.
Além de sua função militar, o complexo contará com cais comerciais e civis para ampliar a capacidade portuária de Ushuaia. O porta-voz explicou que, atualmente, as embarcações enfrentam atrasos para atracar devido a limitações de infraestrutura.
Exploração petrolífera
O anúncio da terça-feira coincidiu com uma nova ação judicial argentina apresentada ao Tribunal Internacional do Direito do Mar, com um pedido de medidas provisórias para impedir a exploração de hidrocarbonetos na Bacia Malvinas Norte por meio do projeto petrolífero Sea Lion.
O governo argentino solicitou, entre outras medidas, que o Reino Unido impeça o início ou a continuidade da exploração petrolífera, abstenha-se de utilizar informações obtidas durante as explorações em prejuízo dos direitos argentinos e não conceda novas licenças que possam agravar a controvérsia.
Buenos Aires sustenta que as atividades britânicas violam seus direitos soberanos sobre a plataforma continental, enquanto Londres defende a exploração econômica das ilhas e anunciou medidas para proteger as empresas que operam no arquipélago frente às disposições argentinas.

