Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) incorporou setores da direita tradicional brasileira e criticou a atual orientação política da legenda.
A declaração foi feita nesta terça-feira (13), durante transmissão da Rádio Causa Operária. No domingo (11), o PCO realizou uma conferência e adotou como posição oficial o voto nulo no segundo turno da eleição presidencial, disputada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (PL).
"Hoje eu vi aqui nas redes sociais um vídeo do Pepe Escobar, onde ele faz uma definição do PT que eu considero que é parcial, mas é correta. Que é o seguinte, o PT, segundo ele, se transformou num partido woke, identitário, né? E é o Partido Democrata Norte-Americano. Eu acho que essa definição é correta, mas ela é incompleta", afirmou Costa.
Na avaliação de Rui, "o PT, pela sua debilidade institucional e pela sua evolução política, incorporou uma boa parte de setores da direita tradicional brasileira". Segundo ele, figuras como o senador Jaques Wagner e outros nomes eleitos pela sigla na região Nordeste expõem essa tendência.
Fim do mundo?
O dirigente também criticou o discurso de que uma eventual vitória da direita representaria um cenário apocalítico. ''Se é o fim do mundo, então o fim do mundo já chegou", afirmou, apontando para a grande quantidade de parlamentares do Partido Liberal (PL) eleitos para o Congresso.
Ao abordar a orientação econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro, Rui afirmou que ainda não está claro se o candidato pretende adotar medidas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei. Segundo ele, as mudanças de nomes e de posicionamento na equipe política do senador indicariam dúvidas sobre a viabilidade desse modelo no Brasil.
Nesse sentido, mencionou Daniella Marques, coordenadora do plano econômico e porta-voz da campanha presidencial de Flávio, como uma das figuras ligadas à formulação econômica da candidatura e admiradora de Milei. Para o dirigente do PCO, as mudanças posteriores na equipe e na orientação política do senador dificultam determinar qual linha econômica seria adotada em um eventual governo.
"Eu também não sei se, uma vez que ele ganhe a eleição, ele não vai tentar aplicar uma política ao estilo de Milei. Mas a eleição não pode ser definida por isso. O posicionamento eleitoral não pode ser definido por isso", sustentou.
Na mesma linha, o político distinguiu a escolha individual do eleitor da posição que, em sua avaliação, deve ser adotada por um partido político. "O eleitor vai lá e diz: eu prefiro Lula a Flávio Bolsonaro. Tudo bem. Normal. Mas somos um partido político. Nós não agimos com os mesmos critérios que os outros", afirmou, ao justificar a posição do PCO diante da disputa presidencial.