Pequim afirmou, na segunda-feira (12), respeitar as decisões políticas dos povos latino-americanos, independentemente da orientação ideológica de seus governos. O governo chinês disse que a aproximação econômica com a região continuará, apesar da ascensão de forças de direita e do fortalecimento dos laços de alguns países com os Estados Unidos.
"A China tem aderido consistentemente ao princípio da não interferência em assuntos internos e respeita as decisões tomadas pelos povos dos países latino-americanos", declarou Qiu Xiaoqi, representante especial do governo chinês para assuntos da América Latina, durante um simpósio em Pequim, reportado pela imprensa estatal local.
Em resposta a perguntas sobre a mudança no cenário político regional, Qiu afirmou que Pequim não estabelece divisões ideológicas e está disposta a desenvolver relações amistosas com todos os países da América Latina e do Caribe, com base no princípio de Uma Só China.
Governança e Sul Global
O representante também reiterou a oposição chinesa ao bloqueio e às sanções dos Estados Unidos contra Cuba. Segundo ele, Pequim continuará apoiando o povo cubano na busca por um modelo de desenvolvimento adequado às condições nacionais do país.
Qiu defendeu ainda uma reforma nas estruturas multilaterais que amplie a participação dos países do Sul Global. "A governança global não é privilégio de poucos países, nem deve permitir jogos de poder ou o monopólio das regras", afirmou.
Na área econômica, o comércio entre China e América Latina alcançou o recorde de US$ 549 bilhões em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, o intercâmbio comercial somou US$ 422,64 bilhões, alta de 19,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.