Afinal, café ajuda ou atrapalha no combate ao estresse?

O texto publicado na Progress in Brain Research aponta possíveis benefícios do consumo moderado, mas alerta para os riscos do excesso e para necessidade de mais pesquisas.

Pesquisadores analisaram estudos recentes sobre a relação entre o consumo de café e o estresse e concluíram que a bebida tem efeitos de dois lados.

O consumo moderado pode reduzir os níveis de estresse, melhorar a capacidade de lidar com ele e favorecer o relaxamento.

Já o consumo excessivo pode prejudicar a saúde cardiovascular, gastrointestinal e mental.

O trabalho, assinado por Muhammad Liaquat Raza, Motahareh Haghipanah e Nasrollah Moradikor, e publicado na "Progress in Brain Research" avalia os efeitos físicos, psicológicos e sociais do café sobre a resposta ao estresse.

Os autores lembram que estudos epidemiológicos associam o consumo da bebida a níveis mais baixos de estresse relatado pelas próprias pessoas.

Em experimentos com animais, a cafeína reduziu a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sistema que controla a liberação de cortisol, o principal hormônio do estresse.

Em humanos, os mecanismos por trás dessa associação ainda não são totalmente compreendidos.

O capítulo também registra que o café pode elevar o cortisol de forma temporária e que o excesso de cafeína pode causar ansiedade e agitação, sobretudo em pessoas sensíveis à substância.

O trabalho menciona ainda o ritual de tomar café, muitas vezes ligado ao convívio social e à pausa, como um possível fator para a sensação de alívio.

Os autores do estudo, no entanto, defendem novas pesquisas para esclarecer os mecanismos envolvidos e estimular um consumo consciente.