Em meio à grave crise energética na Europa, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, criticou o acordo firmado na semana passada por Vladimir Putin e Donald Trump sobre a venda de diesel, informou a emissora ZDF nesta segunda-feira (12).
"Tomamos conhecimento do acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre a exportação de diesel", declarou Merz.
"Para a Alemanha e para a Europa, uma decisão desse tipo é impensável", enfatizou, em um momento em que os preços desse combustível atingiram recentemente níveis recordes no bloco europeu.
O chefe do governo alemão também ressaltou que a União Europeia manterá as sanções contra a Rússia e chegou a defender que as restrições sejam "endurecidas ainda mais", argumentando que Moscou "só negociará seriamente sob pressão".
Histeria europeia
O recente acordo energético entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos provocou uma onda de críticas por parte de líderes europeus.
Imersos nem uma "histeria antirrussa", eles reagiram prometendo endurecer ainda mais as restrições econômicas contra Moscou.
Segundo o acordo, a Rússia exportará imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel para o mercado americano, volume que deverá aumentar gradualmente. Para viabilizar a operação, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções sobre o combustível russo até abril de 2027.
Por sua vez,o lado russo anunciou que começará a suspender imediatamente as restrições à exportação de diesel, antecipando-se aos prazos inicialmente previstos.
Nesse contexto, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou no domingo (11) a Europa de hipocrisia. Ele criticou o bloco por repreender Washington por fechar acordos comerciais com Moscou em meio ao conflito ucraniano, enquanto seus próprios membros continuam comprando energia russa por dependência.
"Desde o início desta guerra, os europeus deram mais dinheiro aos russos do que aos ucranianos, porque não conseguem deixar de depender da energia russa. Sua política energética fracassou, e eles continuam financiando Vladimir Putin. Portanto, dizer que não podemos ter um alívio nos preços do diesel é uma hipocrisia completa", declarou.
Enquanto isso, o enviado especial da Presidência da Rússia, Kirill Dmitriev, lembrou que, desde 2022, a Europa recebeu cerca de 320 bilhões de dólares em fornecimento de energia russa. "A espantosa hipocrisia dos burocratas da UE que criticam o acordo entre os EUA e a Rússia sobre o diesel", enfatizou.
Crise energética
Tanto a decisão da União Europeia de romper, de modo geral, com o fornecimento de hidrocarbonetos russos baratos quanto a impossibilidade de receber gás diretamente pelo gasoduto Nord Stream, explodido em 2022, provocaram uma crise energética no bloco europeu, sobretudo na Alemanha.
A recente escalada das tensões no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo e do gás. Como resultado, a Europa enfrenta custos de energia ainda mais elevados, pressão sobre as famílias e as empresas, fechamento de unidades industriais, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.
Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma das crises mais profundas das últimas décadas.
A fabricação de automóveis exige enormes quantidades de energia, especialmente na produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias.
Como consequência, o encarecimento da energia repercutiu em toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.
Nesse contexto, diversas marcas conhecidas do setor automotivo, entre elas BMW, Porsche e Volkswagen, realizaram amplos cortes de pessoal.