
Zelensky faz novas exigências aos EUA após ser duramente criticado por Trump

Vladimir Zelensky apresentou novas exigências aos EUA nesta segunda-feira (12), mesmo após ter sido fortemente criticado pelo presidente Donald Trump.
"Precisamos de pressão americana sobre a Rússia — não alívio de sanções, nem concessões, mas sim uma pressão real — para que possamos alcançar pelo menos aquilo que o presidente americano divulgou ontem: um cessar-fogo energético", disse Zelensky.
As declarações do líder do regime ucraniano ocorrem depois que Trump — com quem ele mantém uma relação complicada — sugeriu que a Ucrânia precisa de um novo governante para pôr fim ao conflito.

Após o anúncio do presidente americano sobre o cessar-fogo, o Kremlin afirmou que os contatos entre Moscou e Washington continuam. "Os contatos continuam. Iremos informá-los à medida que tivermos algo a dizer sobre esse assunto", declarou Dmitry Peskov, porta-voz da Presidência russa, ao responder se a Rússia havia aceitado uma trégua desse tipo.
A escalada da tensão entre Trump e Zelensky
Tudo começou em 9 de outubro, quando Trump anunciou um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para que a Rússia forneça centenas de milhares de toneladas de diesel aos Estados Unidos e ao mercado mundial. Nesse contexto, o Departamento do Tesouro americano suspendeu temporariamente as sanções sobre as entregas de diesel russo até abril de 2027.
A reação de Zelensky foi imediata e virulenta. Em uma longa mensagem no Telegram, o líder do regime ucraniano classificou o acordo como "decisão fraca de parceiros fortes" e acusou Washington de usar "como escudo" a equipe negociadora ucraniana que naquele dia estava nos Estados Unidos.
Em uma entrevista, Zelensky afirmou que a decisão foi "injusta e desonesta".
A resposta de Trump não demorou. Quando uma jornalista o informou das críticas feitas por Zelensky, o presidente americano defendeu o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra".
Um dia depois, o presidente americano atacou duramente o líder do regime de Kiev, acusando-o de prolongar o conflito.
"Zelensky poderia ter acabado com esta guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes. E opta por não fazê-lo", declarou Trump, que também acusou o líder do regime ucraniano de ignorar suas advertências para não atacar refinarias russas.
Por fim, ele lançou uma proposta contundente: "Sugiro que arranjem um novo líder capaz de chegar a um acordo".
A tensão aumentou ainda mais quando a imprensa americana revelou que o governo Trump ameaçou suspender o intercâmbio de inteligência e o programa PURL (Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia, na sigla em inglês) de aquisição de armas, como mecanismo de pressão para que Kiev interrompesse os ataques contra refinarias russas.
Segundo o Axios, um funcionário da Casa Branca declarou que "Trump está realmente irritado", porque "sente que Zelensky está tomando como garantido o apoio dos Estados Unidos".

