Algo estranho ocorre com os gansos de Pequim: cientistas acham população geneticamente distinta

Estimam que a população de ganso-cisne de Pequim provavelmente se separou de seus ancestrais mongóis orientais nos últimos 100 anos.

As mudanças climáticas e o desenvolvimento agrícola propiciaram a chegada à China de uma nova população de gansos com padrões migratórios únicos, informa o South China Morning Post na quarta-feira (7), citando um artigo do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências.

Os pesquisadores afirmaram ter descoberto uma população "geneticamente distinta" de gansos-cisne que apareceu em Pequim durante o último século.

O momento da chegada das aves coincide com as mudanças ambientais que ocorreram na região no início do século XX, como o aquecimento global, a expansão dos arrozais e o desenvolvimento da agricultura irrigada, indica o texto.

O ganso-cisne (Anser cygnoides) é uma espécie migratória endêmica do leste da Ásia.

Suas populações selvagens se reproduzem principalmente na Mongólia, Rússia e nordeste da China, mas migram para o sul durante o inverno ao longo de rotas interiores e costeiras.

Devido à diminuição de exemplares, a União Internacional para a Conservação da Natureza catalogou o ganso-cisne como espécie em risco de extinção, razão pela qual o governo chinês estabeleceu comunidades reprodutoras ao redor da capital.

E agora descobriu-se que suas rotas migratórias diferem notavelmente das registradas anteriormente em outras partes da região.

Para rastrear as origens da população de Pequim, os pesquisadores sequenciaram o genoma completo em amostras coletadas de gansos-cisne selvagens em Pequim e na Mongólia, e de gansos domésticos.

Descobriram que as aves de Pequim mostram uma clara divergência tanto em relação às populações domésticas quanto a outras selvagens, por isso estimam que a comunidade provavelmente se separou de seus ancestrais mongóis orientais nos últimos 100 anos.

"O momento em que essa divergência ocorre coincide com importantes mudanças ambientais em Pequim e arredores desde o início do século XX", concluíram os autores do estudo.