A Polícia Federal (PF) decidiu, nesta quarta-feira (7), arquivar a apuração sobre uma suposta interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, de acordo com o portal g1.
O procedimento havia sido solicitado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que pediu a investigação de possíveis repasses de dinheiro público norte-americano para organizações e grupos que atuam no Brasil.
O pedido foi encaminhado no último dia 1º ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. No domingo (4), dia do primeiro turno das eleições, Rodrigues confirmou que a PF havia iniciado uma apuração preliminar, ainda sem a abertura formal de inquérito.
"Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso", afirmou o diretor-geral.
A investigação
A solicitação da AGU teve como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian em 30 de setembro. Segundo o texto, o Departamento de Estado dos EUA teria destinado US$ 1 milhão (R$ 5,02 milhões) a entidades e grupos envolvidos em mobilizações contra instituições brasileiras, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a notícia-crime apresentada pela AGU, os recursos teriam como "objetivo explícito o financiamento e a sustentação financeira de entidades e grupos da sociedade civil focados em desestabilizar e atentar contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro".
Os repasses teriam sido realizados por meio do Human Rights and Democracy Fund (HRDF), que teria como justificativa o combate a supostos excessos judiciais e práticas de censura no país.
No documento, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e outros três integrantes da AGU, o órgão pedia a apuração dos fatos relatados pelo jornal britânico e destacou a gravidade das informações.