Novo estudo refuta mito sobre este suplemento alimentar

Um estudo revelou que a grande maioria dos ensaios sobre a substância foi financiada pela indústria e apontou falhas na metodologia usada para investigar os suplementos de colágeno.

Um novo estudo pôs em dúvida o uso de suplementos de colágeno como um agente antienvelhecimento comprovado.

Os pesquisadores revisaram metanálises recentes e apontaram falhas metodológicas nas pesquisas que sustentam o consumo desses suplementos contra o envelhecimento da pele.

O estudo foi publicado em dezembro no Journal of Cosmetic Dermatology. 

O bioestatístico David Robert Grimes, do Trinity College de Dublin, na Irlanda, e a dermatologista Anjali Mahto, do Reino Unido, analisaram duas metanálises publicadas em 2021 e 2023 e apontaram erros, como medidas estatísticas confusas, e observaram que um dos estudos havia considerado significativo um resultado que não era. 

"Apesar da popularidade crescente dos suplementos de colágeno hidrolisado como intervenção contra o envelhecimento da pele, a base atual de evidências clínicas segue metodologicamente frágil, inconsistente e sujeita a vieses", concluíram Grimes e Mahto.

Ao corrigir os dados, descobriu-se que não foi constatada uma relação significativa entre a dose de colágeno e melhorias na hidratação ou elasticidade.

Metodologias questionáveis

Parte da incerteza, segundo os autores, vem de como os estudos das revisões anteriores foram construídos. Um número esmagador de ensaios foi financiado pela indústria ou teve autores com vínculos comerciais com fabricantes, e muitos eram pequenos e variavam em população, dose diária e duração.

Vários ensaios também combinaram colágeno com outros ingredientes bioativos, o que, para os autores, enfraquece a atribuição dos efeitos especificamente ao colágeno hidrolisado. 

"O colágeno ainda pode ter um papel na dermatologia", admitiram, "mas, por enquanto, promovê-lo como intervenção antienvelhecimento validada é prematuro e não é cientificamente defensável".

O artigo também aponta limitações na evidência disponível, como a insuficiência de pesquisas em humanos sobre quanto material chega à pele e o fato de a maioria dos ensaios randomizados feitos até agora ter durado de oito a doze semanas.

"Até que essa evidência apareça, a suplementação oral de colágeno não deveria ser promovida nem recomendada na prática dermatológica", concluíram.