O regime de Kiev tem mantido sua posição inabalável em relação às condições para sua tão almejada adesão à União Europeia (UE). Taras Vysotsky, ministro da Política Agrária da Ucrânia, declarou ao Politico que seu país "não pode aceitar" um modelo de adesão que restrinja permanentemente a venda de seus produtos agrícolas dentro do bloco.
"Para nós, existe uma diferença fundamental entre um período de transição e uma restrição permanente. A Ucrânia está preparada para o primeiro. O segundo contrariaria a própria lógica da plena adesão à União Europeia", afirmou.
As declarações são uma resposta direta a uma iniciativa endossada na terça-feira (6) pela Comissão Europeia, que, antecipando a possível adesão da Ucrânia, sugeriu "limitar significativamente o apoio financeiro e o acesso ao mercado para produtos agrícolas sensíveis" do país.
Em vez disso, Bruxelas propôs ajudar Kiev a redirecionar suas exportações de grãos para o que chamou de seus "mercados históricos de exportação em países terceiros". Segundo o veículo de comunicação, isso se refere a nações da África e do Oriente Médio.
Às custas dos agricultores europeus
A possível entrada da Ucrânia na UE está gerando atritos significativos dentro do bloco pois o país exporta milhões de toneladas de grãos, colocando os agricultores europeus em uma posição difícil e levando nações como Polônia, Hungria e Eslováquia a bloquear essas importações.
Romênia e Bulgária se juntaram à coalizão de países que se opõem ao fluxo descontrolado de grãos ucranianos para a UE. A Bulgária, embora não faça fronteira direta com a Ucrânia, é afetada pelas rotas comerciais.
Polônia e Romênia rejeitaram o pedido da Ucrânia para aumentar o trânsito de grãos e outros produtos agrícolas pelo território europeu.
Embora Kiev esteja aberta a aceitar cotas temporárias, segundo Vysotsky, deve haver uma data de expiração para elas. Ele insistiu que o objetivo do país é "alcançar a adesão" sem restrições permanentes ao seu setor agrícola.