A economia global enfrenta um cenário de vulnerabilidade crescente caracterizado por preços de energia persistentes, níveis recordes de dívida pública e riscos derivados do boom de investimentos em inteligência artificial (IA), alertou a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, em discurso na Singapura.
Georgieva destacou que o mundo está sendo puxado por forças opostas: um choque negativo na oferta de energia causado pelos conflitos no Oriente Médio, e um choque positivo na demanda, impulsionado pela IA, que também tem alimentado a inflação.
Sobre a IA, a diretora do FMI observou que, embora a tecnologia possa adicionar meio ponto percentual ao crescimento anual global, o ritmo acelerado de investimentos gera riscos de concentração financeira e choques de mercado, e defendeu a necessidade de regulamentação da tecnologia.
Endividamento global
Outro ponto de preocupação é o endividamento público, que, segundo Georgieva, atingiu o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial e deve ultrapassar os 100% do PIB global antes de 2030.
Georgieva apontou as chamadas "economias avançadas", lideradas pelos Estados Unidos, como as que apresentam as maiores cargas de dívida em relação ao PIB. Para a diretora, os governos precisam de planos de consolidação fiscal de médio prazo e não podem mais contar apenas com o crescimento econômico para resolver problemas fiscais.
Já os mercados emergentes "podem se ver confrontados não apenas com custos de financiamento mais elevados decorrentes do aumento dos rendimentos de referência e da ampliação dos spreads, mas também com fluxos de capital mais voláteis relacionados, em parte, à inovação financeira", observou.