A deputada ucraniana Anna Skorokhod apresentou um projeto de lei ao parlamento, a Verkhovna Rada, que estabelece o estatuto de neutralidade da Ucrânia na Constituição, informou a mídia ucraniana Strana nesta terça-feira (6).
Segundo o documento, o estatuto deve garantir que o país não irá aderir a nenhuma aliança militar e visa "confirmar que não tem intenção de cometer atos de agressão contra qualquer país".
Atualmente, a Constituição estipula o rumo da Ucrânia em direção à OTAN e à UE, uma decisão tomada em 2019 durante a presidência de Piotr Poroshenko. A legisladora propõe eliminar a orientação do país em relação à OTAN, mas manter sua orientação em relação à União Europeia.
Posição da Rússia: "não" à OTAN nas fronteiras
A posição de Moscou contra a adesão da Ucrânia à OTAN permanece inalterada há anos. As autoridades russas afirmaram que as aspirações de Kiev de ingressar na aliança foram um dos principais motivos para o início da operação militar especial em fevereiro de 2022.
O Kremlin também insiste que não permitiria a presença de forças da OTAN no país vizinho. No discurso anunciando o início da operação militar especial em 2022, o presidente russo, Vladimir Putin, destacou o papel da OTAN como uma ferramenta da política externa agressiva dos países ocidentais de contenção da Rússia. E o desenvolvimento militar em território ucraniano faz parte desta política.
Discursando na quinta-feira passada (1º), opresidente reforçou a posição. "A OTAN não deveria ter iniciado a expansão militar em nossos territórios históricos em interesse da própria organização, nem ter planejado bases ali", argumentou, acrescentando que também não se deveria "ter incitado os radicais de Kiev a dar um golpe de Estado, para depois abastecer o regime assim criado — ilegal, em sua essência — com diversas armas ofensivas", declarou.