A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira (18) que a OTAN é utilizada pelos países ocidentais como instrumento para preservar sua supremacia global.
"A OTAN sempre foi e continua sendo um instrumento de força que o Ocidente coletivo utiliza para manter a supremacia no mundo, tal como eles mesmos estabeleceram", declarou Zakharova.
A porta-voz reagiu às declarações do chefe da Força Aérea da Alemanha (Luftwaffe), tenente-general Holger Neumann, que afirmou que seu país está preparado para "lutar esta noite" contra a Rússia, caso seja necessário, e que defenderá "cada centímetro" do território da OTAN.
Em entrevista, o militar advertiu que a península de Kola, no noroeste da Rússia, o enclave báltico de Kaliningrado e a região russa do Mar Negro sofreriam uma resposta da OTAN caso a aliança fosse obrigada a se defender.
"Em última análise, a Alemanha continua sendo membro da OTAN. E essa declaração não foi feita por um simples político nem por alguma figura marginal, mas por uma autoridade militar alemã em exercício, um dos dirigentes político-militares da Alemanha", observou Zakharova.
Nesse contexto, ela lembrou que a aliança "continua se apresentando como defensora da paz e da justiça" e segue falando sobre o caráter defensivo do bloco.
"Mas o que acontece na realidade? Na prática, verifica-se que esse general alemão, já que ninguém na OTAN, em Bruxelas, o repreendeu, está revelando aquilo que realmente move a OTAN", afirmou.
'Continuam dividindo as pessoas'
"Quando baixam a cabeça, e continuam fazendo isso, diante das vítimas do Holocausto, por que tratam de forma diferente o nosso país, que sofreu tanto e perdeu tantas pessoas? Será que continuam dividindo as pessoas, inclusive as vítimas de sua própria loucura, segundo critérios nacionais? Se matamos pessoas de uma nacionalidade, devemos nos arrepender; mas, se matamos pessoas de outra nacionalidade, em particular russos, então não é necessário se arrepender", declarou a porta-voz.
Além disso, Zakharova destacou que as declarações de Neumann foram feitas às vésperas de 22 de junho.
"Nem mesmo o 85º aniversário do ataque traiçoeiro da Alemanha nazista contra a União Soviética os fez refletir de alguma forma", ressaltou.
"Essa data também deveria ser, para a Alemanha, se falamos em consciência, justiça, moral e ética, um símbolo de dor e vergonha, uma lembrança de sua própria culpa histórica e de sua responsabilidade", concluiu Zakharova.
Nos últimos anos, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. Vladimir Putin voltou a rejeitar essas alegações, classificando-as como "tolice" e "provocação deliberada".
"Para quê? Para que isso nos serviria? O que a Europa tem a ver com tudo isso? Que sentido faria para nós atacar a Europa e entrar em guerra com a OTAN?", questionou Putin, acrescentando que essa narrativa é "não apenas uma tolice, mas uma provocação deliberada".
Segundo o presidente russo, esses rumores são difundidos para criar uma ameaça inexistente, justificar o aumento dos gastos com defesa e fazer com que os cidadãos europeus financiem o regime de Kiev.