O FBI prendeu no domingo (4), no aeroporto de Los Angeles, uma suposta agente chinesa que estava prestes a embarcar num voo para Xangai, informou o procurador-adjunto do Distrito Central da Califórnia, Bill Essayli.
A suposta espiã, Wanying Zhang, conhecida como Heather, de 34 anos, teria ido a Seattle, em 2025, sob o comando de autoridades chinesas, afirmou Essayli.
Segundo o FBI, lá ela vigiou um filho do líder taiwanês Lai Ching-te, filmando a casa e os veículos dele e enviando as informações à China.
De acordo com o New York Post, Zhang trabalhava como corretora de imóveis na Califórnia, na mesma imobiliária do marido, Edric Ding.
O jornal revelou ainda a identidade do filho do líder taiwanês que foi vigiado: Ting-Yu Lai, um engenheiro de cerca de 30 anos, funcionário da Philips.
Conforme o affidavit do FBI, a agência teve acesso às conversas de Zhang com dois supostos oficiais chineses no WeChat, nas quais eles discutiam as tarefas dela desde setembro de 2022.
Está previsto que a suposta agente compareça na terça-feira (6) a uma audiência em um tribunal federal de Los Angeles.
"Não dá para conduzir operações de inteligência estrangeira em solo americano e simplesmente pegar um avião de volta para casa", afirmou o FBI.
Entre 2025 e o início de 2026, Taiwan acusou 58 pessoas de espionagem a favor de Pequim. No ano passado, quatro integrantes do Partido Democrático Progressista, no poder, foram condenados a penas de prisão por supostamente repassarem à inteligência chinesa informações governamentais sigilosas. Um deles foi absolvido em recurso em junho.
- A República Popular da China, assim como a imensa maioria dos países, considera Taiwan, que se autogoverna desde 1949, parte inalienável de seu território.
- A situação no Estreito de Taiwan se agrava devido aos contínuos exercícios militares das forças da ilha com armas dos EUA e aos treinamentos conjuntos com outros membros da Otan e aliados na região. Enquanto isso, Pequim insiste que a via militar seria o último recurso para resolver a disputa e que quer evitá-la, embora a China se reserve esse direito, como qualquer Estado soberano.