
Aliança militar liderada pela Rússia defende legado de 80 anos do Tribunal de Nuremberg

Os ministros das Relações Exteriores dos países integrantes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar liderada pela Rússia, defenderam nesta quinta-feira (1º) a preservação do legado do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg, 80 anos após o veredicto contra dirigentes da Alemanha nazista.
Em declaração conjunta, os chanceleres classificaram os julgamentos como uma experiência "única" de cooperação internacional, na qual países com diferentes sistemas de governo e tradições se uniram para julgar os responsáveis pelos crimes que desencadearam a Segunda Guerra Mundial.

Os ministros pediram que a comunidade internacional trate o veredicto como "um fundamento inabalável e inegociável do direito internacional e da ordem mundial" e defenda seus princípios para prevenir "guerras, genocídio, crimes de guerra, tortura e outros crimes contra a humanidade".
A declaração destaca que Nuremberg classificou organizações nazistas como a Gestapo e a SS, além da estrutura dirigente do Partido Nazista, como "estruturas criminosas", reconhecendo seu envolvimento na preparação de uma "guerra de agressão" e em crimes contra civis.
Genocídio contra o povo soviético
Os chanceleres também ressaltaram os crimes cometidos contra a população soviética. Segundo eles, o tribunal comprovou que o assassinato e a expulsão de civis nos territórios ocupados integravam um plano para "expulsar e exterminar" a população.
"Os fatos relativos à expulsão e ao extermínio de civis na URSS pelos nazistas e seus cúmplices (...) devem ser considerados um ato de genocídio contra a União Soviética", afirma o documento.
A OTSC condenou ainda "qualquer tentativa de falsificar a história", incluindo esforços para "distorcer e revisar os resultados da Segunda Guerra Mundial" e os crimes nazistas estabelecidos pelo tribunal.
Para os ministros, a negação ou justificativa desses crimes "ofende a memória daqueles que morreram" e "cria uma ilusão de impunidade e um terreno fértil para a reprodução desses atos desumanos".
Ao final, os países pediram que a comunidade internacional "respeite e defenda o legado" de Nuremberg e amplie o compartilhamento de informações sobre os crimes nazistas para impedir a propagação de "ideologia, movimentos e organizações neonazistas".
« ESTE ARTIGO RELEMBRA COMO A URSS LIBERTOU A EUROPA DO NAZISMO »

