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Aliança militar liderada pela Rússia defende legado de 80 anos do Tribunal de Nuremberg

Declaração conjunta dos chanceleres da OTSC pede que o veredicto de 1946 seja preservado como fundamento do direito internacional e condena tentativas de revisar os crimes nazistas.
Aliança militar liderada pela Rússia defende legado de 80 anos do Tribunal de NurembergGettyimages.ru / Bettmann / Colaborador

Os ministros das Relações Exteriores dos países integrantes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), aliança militar liderada pela Rússia, defenderam nesta quinta-feira (1º) a preservação do legado do Tribunal Militar Internacional de Nuremberg, 80 anos após o veredicto contra dirigentes da Alemanha nazista.

Em declaração conjunta, os chanceleres classificaram os julgamentos como uma experiência "única" de cooperação internacional, na qual países com diferentes sistemas de governo e tradições se uniram para julgar os responsáveis pelos crimes que desencadearam a Segunda Guerra Mundial.

Os ministros pediram que a comunidade internacional trate o veredicto como "um fundamento inabalável e inegociável do direito internacional e da ordem mundial" e defenda seus princípios para prevenir "guerras, genocídio, crimes de guerra, tortura e outros crimes contra a humanidade".

A declaração destaca que Nuremberg classificou organizações nazistas como a Gestapo e a SS, além da estrutura dirigente do Partido Nazista, como "estruturas criminosas", reconhecendo seu envolvimento na preparação de uma "guerra de agressão" e em crimes contra civis.

Genocídio contra o povo soviético

Os chanceleres também ressaltaram os crimes cometidos contra a população soviética. Segundo eles, o tribunal comprovou que o assassinato e a expulsão de civis nos territórios ocupados integravam um plano para "expulsar e exterminar" a população.

"Os fatos relativos à expulsão e ao extermínio de civis na URSS pelos nazistas e seus cúmplices (...) devem ser considerados um ato de genocídio contra a União Soviética", afirma o documento.

A OTSC condenou ainda "qualquer tentativa de falsificar a história", incluindo esforços para "distorcer e revisar os resultados da Segunda Guerra Mundial" e os crimes nazistas estabelecidos pelo tribunal.

Para os ministros, a negação ou justificativa desses crimes "ofende a memória daqueles que morreram" e "cria uma ilusão de impunidade e um terreno fértil para a reprodução desses atos desumanos".

Ao final, os países pediram que a comunidade internacional "respeite e defenda o legado" de Nuremberg e amplie o compartilhamento de informações sobre os crimes nazistas para impedir a propagação de "ideologia, movimentos e organizações neonazistas".

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