Christa Pike — a única mulher condenada à pena capital no estado do Tennessee (EUA) — sobreviveu após receber 2 injeções letais, o que abriu o debate no país norte-americano sobre o sistema penitenciário e de saúde, o sofrimento inconstitucional causado aos condenados e o 'secretismo' com o qual esse tipo de sentença é conduzido.
Depois de injetá-la 2 vezes, a mulher continuava viva e 'roncava', por isso teve de ser transferida de emergência em ambulância da penitenciária para um centro médico, onde permanece hospitalizada sem que sua defesa tenha sido formalmente informada sobre seu estado de saúde atual.
Após o ocorrido, o estado do Tennessee suspendeu todas as execuções programadas para o restante do ano.
'Veias rompidas'
Entre os problemas relatados estão dificuldades para obter acesso intravenoso, veias danificadas e uma possível deterioração do pentobarbital utilizado. O advogado Stephen Ferrell afirmou que Pike já temia complicações por causa de um distúrbio sanguíneo que, segundo ele, dificultou a realização de coletas de sangue ao longo de sua vida.
O advogado Randy Spivey disse que foram feitas ao menos sete perfurações apenas no braço esquerdo enquanto a equipe tentava instalar os acessos intravenosos. Segundo ele, Pike colaborou com os profissionais e chegou a indicar onde poderiam tentar novamente: "Por favor, tentem mais acima, no meu ombro".
Mesmo após receber uma primeira dose e outra de reserva de pentobarbital, Pike permaneceu viva e foi levada a um hospital, onde recebia atendimento médico nesta quinta-feira (1º).
Outras execuções fracassadas
Conforme dados do Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPI, por suas siglas em inglês), uma ONG com três décadas de trajetória, 'estima-se que 3% das execuções nos EUA entre 1890 e 2010 fracassaram'.
Segundo as informações que essa organização administra, 'execuções fracassadas ocorrem quando há uma falha ou desvio do 'protocolo' para um método de execução em particular'.
Na opinião do centro, essas ações causam 'sofrimento desnecessário ao prisioneiro', que além disso 'reflete uma grave incompetência do carrasco', o que atentaria contra a Oitava Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proíbe 'castigos cruéis'.
A aplicação anterior de uma injeção letal que fracassou foi em 21 de maio, também no Tennessee, durante a execução de Tony Carruthers, que seria o primeiro norte-americano em mais de um século a ser executado depois de se representar a si mesmo no julgamento, em meio a dúvidas sobre sua culpa. Sua pena de morte foi suspensa por um ano.
De 1982 até o caso de Carruthers, a ONG contabiliza 64 penas de morte frustradas.