No próximo domingo (4), os brasileiros vão às urnas para escolher o próximo presidente da República, em uma disputa que tem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entre os principais candidatos.
O resultado também terá reflexos sobre a política externa brasileira e a forma como o país conduzirá suas relações com a União Europeia.
Nenhum dos dois planos prevê um afastamento do bloco europeu.
A diferença está nas prioridades e na estratégia para conduzir essa relação.
O Brasil já possui uma parceria comercial e diplomática consolidada com a UE, além do acordo Mercosul–União Europeia, que passou a ser aplicado provisoriamente em 2026.
Lula
O documento também trata a integração sul-americana como uma prioridade estratégica e defende a ampliação das relações com países da Ásia, África e Oriente Médio.
A proposta mantém ainda uma atuação mais forte do Brasil em organismos multilaterais.
Lula defende, entre outros pontos, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a participação brasileira em instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial.
Nesse desenho, a relação com a União Europeia se encaixa em uma política externa mais ampla, baseada na integração regional, no multilateralismo e na ampliação das parcerias internacionais.
Um dos principais resultados dessa aproximação foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor no Brasil em 1º de maio de 2026.
A dimensão econômica da relação também é relevante. Nos primeiros oito meses de 2026, o Brasil exportou US$ 37,29 bilhões para a União Europeia, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025.
A corrente de comércio entre os dois lados chegou a US$ 71,29 bilhões, crescimento de 8,5%.
Flávio
O documento defende uma diplomacia baseada em "profissionalismo e pragmatismo" e afirma que o país deve negociar "da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos".
A proposta dá maior destaque à abertura comercial, à atração de investimentos, à integração às cadeias globais de valor e à retomada do processo de adesão à OCDE.
Nesse modelo, a relação com a UE aparece principalmente sob a perspectiva econômica e comercial.
O plano não propõe afastamento da União Europeia.
Ao contrário, coloca o bloco entre os mercados com os quais o Brasil deve ampliar negociações, mas dentro de uma política externa que busca diversificar parceiros e priorizar os interesses econômicos brasileiros.
O que muda
A diferença, portanto, não está em manter ou romper a relação com a Europa, mas na maneira como cada projeto pretende inseri-la na política externa brasileira.
Lula enfatiza soberania, integração regional e multilateralismo.
Flávio destaca pragmatismo comercial, abertura econômica e diversificação de parceiros.