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Lula x Flávio: como a eleição pode mudar a relação do Brasil com a União Europeia

Planos de governo não preveem afastamento do bloco, mas divergem sobre prioridades, integração internacional e política comercial; enquanto Lula aposta no multilateralismo e na integração regional, Flávio destaca abertura comercial, OCDE e diversificação de parceiros.
Lula x Flávio: como a eleição pode mudar a relação do Brasil com a União EuropeiaHoracio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images/Pedro França / Agência Senado

No próximo domingo (4), os brasileiros vão às urnas para escolher o próximo presidente da República, em uma disputa que tem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entre os principais candidatos.

O resultado também terá reflexos sobre a política externa brasileira e a forma como o país conduzirá suas relações com a União Europeia.

Nenhum dos dois planos prevê um afastamento do bloco europeu.

A diferença está nas prioridades e na estratégia para conduzir essa relação.

O Brasil já possui uma parceria comercial e diplomática consolidada com a UE, além do acordo Mercosul–União Europeia, que passou a ser aplicado provisoriamente em 2026.

Lula

No programa de governo, Lula coloca a soberania e a independência do Brasil entre os princípios que devem orientar a política externa.

O documento também trata a integração sul-americana como uma prioridade estratégica e defende a ampliação das relações com países da Ásia, África e Oriente Médio.

A proposta mantém ainda uma atuação mais forte do Brasil em organismos multilaterais.

Lula defende, entre outros pontos, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a participação brasileira em instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Mundial.

Nesse desenho, a relação com a União Europeia se encaixa em uma política externa mais ampla, baseada na integração regional, no multilateralismo e na ampliação das parcerias internacionais.

Um dos principais resultados dessa aproximação foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor no Brasil em 1º de maio de 2026.

O pacto prevê redução de tarifas, ampliação do acesso a mercados e regras para investimentos e comércio.

A dimensão econômica da relação também é relevante. Nos primeiros oito meses de 2026, o Brasil exportou US$ 37,29 bilhões para a União Europeia, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2025.

A corrente de comércio entre os dois lados chegou a US$ 71,29 bilhões, crescimento de 8,5%.

Flávio 

O plano de governo de Flávio também coloca a União Europeia entre os parceiros com os quais o Brasil pretende negociar.

O documento defende uma diplomacia baseada em "profissionalismo e pragmatismo" e afirma que o país deve negociar "da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos".

A proposta dá maior destaque à abertura comercial, à atração de investimentos, à integração às cadeias globais de valor e à retomada do processo de adesão à OCDE.

Nesse modelo, a relação com a UE aparece principalmente sob a perspectiva econômica e comercial.

O plano não propõe afastamento da União Europeia.

Ao contrário, coloca o bloco entre os mercados com os quais o Brasil deve ampliar negociações, mas dentro de uma política externa que busca diversificar parceiros e priorizar os interesses econômicos brasileiros.

O que muda

A diferença, portanto, não está em manter ou romper a relação com a Europa, mas na maneira como cada projeto pretende inseri-la na política externa brasileira.

Lula enfatiza soberania, integração regional e multilateralismo. 

Flávio destaca pragmatismo comercial, abertura econômica e diversificação de parceiros.