A obra de Fiódor Dostoiévski continua sendo traduzida e relançada no Brasil com frequência, e o interesse por clássicos russos tem crescido entre leitores mais jovens.
Conhecido por seus romances psicológicos e por dissecar as contradições da alma humana, o autor escreveu livros que permanecem atuais mais de um século depois. A seguir, quatro títulos para quem quer ir além de "Noites Brancas" ou apenas começar.
Crime e Castigo
Raskolnikov, um estudante que abandonou a universidade por falta de dinheiro, convence-se de que existem pessoas comuns e extraordinárias — e de que ele pertence ao segundo grupo. Para provar isso, mata uma velha agiota com um machado.
O crime acontece logo no início; o resto do livro é sobre o castigo, que vem menos da prisão e mais do próprio tormento mental do protagonista.
É uma resposta de Dostoiévski aos ideais niilistas que se espalhavam entre a juventude russa nos anos 1860.
O Idiota
Míchkin, um príncipe que passou anos em uma instituição psiquiátrica na Suíça, volta a São Petersburgo e se vê envolvido em uma teia de interesses, paixões e manipulações.
Dostoiévski queria criar um personagem semelhante a Cristo e ver como ele se sairia em uma sociedade corrompida. O resultado é um romance sombrio, cheio de reflexões psicológicas, em que o protagonista acaba sendo chamado de "idiota" por sua pureza excessiva para o mundo em que vive.
Os Demônios
Em uma cidade provinciana, um grupo de jovens revolucionários se organiza em torno de Piotr Verkhovenski, líder de uma célula secreta disposta a matar para manter a coesão.
O romance, também traduzido como "Os Possessos", foi inspirado no assassinato real de um estudante pelo grupo de Serguêi Netchaiev em 1869.
Dostoiévski, monarquista e fiel da Igreja Ortodoxa, via o movimento revolucionário como uma força demoníaca que envenenava a juventude — e usou o livro como alerta. Durante a era soviética, a obra chegou a ser proibida.
Os Irmãos Karamazov
Três filhos completamente diferentes — Dmítri, o emotivo; Ivan, o intelectual cético; e Aliôcha, o noviço religioso — disputam dinheiro, herança e a atenção do pai, um proprietário de terras lascivo e cínico.
Quando o pai é assassinado, o romance se transforma em uma investigação policial e, ao mesmo tempo, em uma profunda reflexão sobre amor, pecado, Deus e moralidade.
É a última obra de Dostoiévski e um dos maiores romances psicológicos já escritos.