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UE já gastou 100 bilhões de euros a mais com energia desde início da guerra com Irã

Alta dos preços após o fechamento do Estreito de Ormuz expôs a dependência energética do bloco, que importa cerca de metade de seu diesel diretamente dos Estados Unidos.
UE já gastou 100 bilhões de euros a mais com energia desde início da guerra com IrãGettyimages.ru / Majid Saeedi

A União Europeia (UE) já gastou mais de 100 bilhões de euros (R$ 592 bilhões) adicionais em importações de energia desde o início da guerra com o Irã, em meio à disparada dos preços do petróleo e do gás. O aumento dos custos levou ministros do bloco a discutir nesta terça-feira (29) formas de reduzir a dependência de combustíveis importados, informou a Associated Press.

Em alguns países europeus, os consumidores estão pagando quase 50% a mais pelos combustíveis. A alta ocorreu após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava, em tempos de paz, cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

"Os tempos são sérios", afirmou o comissário de Energia da União Europeia, Dan Jørgensen, durante uma reunião de ministros em Dublin, na Irlanda. Segundo ele, apesar dos mais de 100 bilhões de euros gastos a mais, o bloco não recebeu "uma molécula extra de gás ou petróleo".

Diante da crise, os ministros discutem acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por eletricidade e ampliar a infraestrutura elétrica dentro da UE. A proposta busca diminuir a exposição do bloco a choques externos de abastecimento e preços.

Dependência externa

A vulnerabilidade europeia aumentou depois que o bloco reduziu sua histórica dependência da energia russa após o início do conflito na Ucrânia, em 2022, e passou a comprar mais energia dos Estados Unidos. Atualmente, cerca de 50% do diesel consumido pela UE vem diretamente do mercado americano.

Esse fornecimento também passou a enfrentar incertezas. Republicanos em importantes estados dos EUA defendem proibir exportações de diesel para reforçar o abastecimento interno antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, o que colocou em dúvida parte da oferta destinada à Europa.

Jørgensen afirmou ter enviado "um sinal muito claro" às autoridades americanas contra uma eventual proibição. Para o comissário, a crise mostra que a UE precisa substituir combustíveis fósseis importados por energia produzida dentro do próprio bloco.

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou que a Europa está entre as regiões mais expostas a problemas no fornecimento de diesel, principalmente com a aproximação do inverno. Segundo ele, a elevada dependência de importações torna o continente particularmente vulnerável.

A ministra do Meio Ambiente da Finlândia, Sari Multala, apresentou o país como exemplo de maior independência energética. Segundo ela, reatores nucleares, turbinas, turfa e hidrelétricas respondem por 95% da eletricidade finlandesa, o que ajuda a manter os preços em níveis considerados mais razoáveis.