Um novo estudo sugere que a gravidade do Sol e da Lua poderia desencadear certos terremotos lentos ao interagir com falhas geológicas especialmente sensíveis.
Segundo a pesquisa, publicada na revista JGR Solid Earth em 20 de setembro, essas pequenas tensões periódicas poderiam ativar movimentos sísmicos por meio de um mecanismo semelhante à ressonância.
O trabalho parte de uma observação conhecida há muito tempo: além de provocar marés nos oceanos, o Sol e a Lua também geram pequenas deformações na crosta terrestre.
Essas forças são muito fracas, mas já foi observado que, em alguns locais, elas coincidiam com episódios de "terremotos lentos" — movimentos telúricos que liberam energia de forma gradual e não são percebidos como um terremoto convencional.
Para investigar como esse efeito poderia ocorrer, os cientistas recorreram a simulações sobre o deslizamento e o atrito em falhas tectônicas, modelando a reação de um segmento de falha submetido a pequenas perturbações repetidas.
Se a falha estiver em um estado suficientemente sensível, essas tensões de maré podem tirá-la do equilíbrio e desencadear um episódio sísmico, diz o estudo.
O efeito de ressonância
A pesquisa sugere que o fator principal não é apenas a intensidade da força, mas também sua duração e o momento em que ela atua. Se a pressão for pequena, a falha pode continuar deslizando lentamente sem grandes alterações.
No entanto, se a intensidade ultrapassar um certo limite e o período da perturbação coincidir com o ritmo natural de resposta da falha, o sistema pode entrar em ressonância e gerar um evento sísmico.
Os autores comparam esse efeito a empurrar um balanço no ritmo adequado para que ele suba mais alto.
Os resultados também ajudam a explicar por que, em algumas regiões — como o sudoeste do Japão ou Cascadia (uma região do noroeste da América do Norte) —, certos tremores lentos parecem atingir picos em intervalos que coincidem com as marés, aproximadamente a cada 12 ou 24 horas.
Ainda assim, os cientistas alertam que nem todas as respostas são regulares: em alguns casos, essas perturbações podem levar a comportamentos mais complexos e difíceis de prever.
Segundo os pesquisadores, esse tipo de modelagem poderia ser útil para entender melhor como a tensão se acumula e é liberada nas interfaces entre placas tectônicas. Isso poderia ajudar, a longo prazo, a interpretar melhor o comportamento de zonas de subducção muito ativas, onde ocorrem os terremotos mais poderosos do planeta.
O estudo esclarece, contudo, que seu modelo se concentra em um único segmento de falha isolado; portanto, é mais adequado para terremotos lentos locais do que para fenômenos sísmicos mais extensos.