Notícias

Empresa canadense adquire 70% de projeto de terras raras no Brasil

Empresas de países como Canadá e EUA avançam em projetos no país enquanto governo defende processamento nacional dos minerais críticos.
Empresa canadense adquire 70% de projeto de terras raras no BrasilOrigen Resources / Imagem modificada com IA

Investidores estrangeiros estão demonstrando grande interesse no desenvolvimento do mercado brasileiro de terras raras. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (28) pelo portal especializado BNamericas, que destacou a movimentação da empresa canadense Origen Resources.

De acordo com as informações, a Origen adquiriu uma participação de 70% em um projeto de elementos de terras raras denominado Campo de Cima, que abrange uma área de 33.075 hectares nos estados da Bahia e do Piauí, no Nordeste do Brasil.

"Acreditamos que o Nordeste do Brasil é, de fato, uma região emergente para terras raras, e temos a vantagem de estar entre os primeiros a entrar nessa área, controlando atualmente mais de 68.615 hectares. Estamos planejando mobilizar equipes para nosso primeiro programa de exploração alguns dias após receber as aprovações regulatórias", afirmou Gary Schellenberg, CEO e diretor da Origen, em comunicado.

Pelo acordo, a Origen vai adquirir a participação da brasileira Incorporadora e Mineração Santa Rosa Ltda. A empresa canadense pagará inicialmente US$ 100 mil e entregará 2 milhões de suas ações. Dois anos após a conclusão do acordo, serão pagos mais US$ 100 mil e entregues outras 4 milhões de ações.

Um outro caso emblemático é o da operação de terras raras em Goiás. Em setembro, a americana USA Rare Earth concluiu a fusão com o Grupo Serra Verde, responsável pela mina Pela Ema, em Minaçu. O negócio, avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, contou com amplo apoio financeiro do governo dos EUA.

"Potencial extraordinário"

Em repetidas ocasiões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está disposto a negociar seus recursos de terras raras e minerais críticos com diferentes países, da China aos Estados Unidos. Segundo o presidente, o objetivo é garantir que parte do processamento desses recursos seja realizada em território brasileiro, de modo a ampliar o valor agregado das exportações do país.

"Como o Brasil tem um potencial extraordinário, temos que nos qualificar para que a gente seja dono do que temos no nosso território. O Brasil não será exportador de terras raras e minerais críticos in natura. Não", disse o chefe de Estado em evento em julho.

Lula também enfatiza a importância dos investimentos em pesquisa e na capacitação de profissionais, ao destacar que parte das reservas de terras raras brasileiras ainda não foi mapeada ou sequer identificada. "Se você não investe em pesquisa, não vai achar nada", afirmou o presidente na ocasião.

»Como funciona a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras, sancionada em setembro? Saiba tudo em nossa matéria completa«