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O que ocorre quando a 'dieta ocidental' encontra um gene ligado ao Alzheimer?

Pesquisadores de uma universidade da Austrália analisaram a alimentação de 185 idosos e avaliaram os resultados levando em conta também o risco genético individual de cada um.
O que ocorre quando a 'dieta ocidental' encontra um gene ligado ao Alzheimer?Gettyimages.ru

Uma dieta ocidental pouco saudável pode acelerar o declínio cognitivo em pessoas com maior risco genético de desenvolver Alzheimer, segundo um estudo da Universidade de Murdoch (Austrália) publicado em setembro.

A pesquisa, divulgada na revista Nutrients, utilizou dados de um estudo anterior e acompanhou 185 idosos da cidade australiana de Perth, por mais de sete anos.

Nenhum dos participantes tinha diagnóstico de demência no início do estudo. Os autores analisaram seus hábitos alimentares e avaliaram diferentes domínios cognitivos: atenção, memória, linguagem, função executiva, memória de reconhecimento e capacidade cognitiva geral.

A equipe classificou a alimentação em dois padrões: 

  • uma dieta "ocidental", caracterizada por alimentos como carne vermelha e processada, pizza, batatas fritas, doces, cereais refinados e cerveja;
  • uma dieta considerada saudável, composta por frutas, legumes, folhas verdes, alho e cereais integrais.

Além disso, foi analisada a presença da variante APOE ε4, considerada o principal fator de suscetibilidade genética ao Alzheimer.

Conclusão preocupante

Segundo a autora principal, a Dra. Carolina Blagojevic Castro, o objetivo era verificar se os alimentos consumidos habitualmente poderiam estar relacionados à evolução das capacidades mentais durante o envelhecimento.

"Nossa principal descoberta foi que, entre as pessoas portadoras do alelo [uma variante de um gene] APOE ε4, uma maior adesão a um padrão alimentar ocidental associou-se a uma deterioração mais rápida da atenção ao longo do tempo", apontou Blagojevic Castro.

Ela também destacou que "uma das descobertas mais interessantes foi que a associação com o declínio cognitivo não foi observada em todo o grupo, mas surgiu especificamente entre os portadores do APOE ε4".

Os pesquisadores não encontraram associações significativas entre o padrão alimentar mais saudável e o declínio cognitivo, nem entre a dieta ocidental e a deterioração naqueles que não possuíam essa variante genética.

Para Blagojevic Castro, isso reforça a ideia de que a relação entre alimentação e saúde cerebral não funciona da mesma forma para todos.

"O que comemos pode ser parte de um panorama muito mais amplo do envelhecimento cerebral saudável", sugeriu.

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