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Lavrov dá detalhes da primeira reunião com homólogo alemão em mais de quatro anos

O encontro foi realizado a pedido do lado alemão e marcou a primeira reunião presencial entre os chefes das diplomacias dos dois países em mais de quatro anos.
Lavrov dá detalhes da primeira reunião com homólogo alemão em mais de quatro anosMichael Kappeler / picture alliance / Gettyimages.ru

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, comentou neste sábado (26) sobre seu encontro com o homólogo alemão, Johann Wadephul, realizado à margem da Assembleia Geral da ONU.

"Nunca nos recusamos a ouvir nossos colegas, qualquer que seja a pessoa, inclusive aqueles que acusam a Rússia de todos os pecados mortais", declarou Lavrov sobre o ministro Wadephul. "Estamos sempre dispostos a ouvir", acrescentou.

Segundo explicou o chefe da diplomacia russa, o ministro alemão "pegou algumas anotações e leu um texto que reproduzia integralmente aquilo que a Alemanha, por meio de seus líderes, declara oficialmente e em público todos os dias".

Mar Negro em foco

"O que o senhor Wadephul me disse? Não obtive nada de novo com isso. Havia, digamos, um subtexto do tipo: vim vê-lo, dei esse passo em direção ao contato com o senhor, então agora, diante desse gesto de boa vontade que fiz, façam algumas concessões na frente ucraniana, garantam um acordo sobre a região do Mar Negro para que os petroleiros e os navios de carga naveguem sem problemas", detalhou Lavrov.

Segundo Lavrov, representantes da Índia, do Egito e da Turquia também procuram a Rússia para discutir a questão da navegação no Mar Negro.

"Conversamos com eles sobre o tema, mas damos uma resposta muito simples: 'Citem ao menos um caso em que navios comerciais que operam em seus interesses tenham sido alvo de ataques russos'. A conversa termina aí. Não existem tais casos. Todos os ataques e danos causados à navegação comercial são resultado de ataques terroristas ucranianos. E não apenas no Mar Negro", explicou.

Nesse contexto, ele lembrou a existência do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (KTK, na sigla em russo). "Antes de tudo, o Cazaquistão é o principal acionista, mas também há participações da Chevron e da ExxonMobil. A Ucrânia atacou várias vezes a infraestrutura desse consórcio. E, há cerca de um mês ou um mês e meio, atingiu um petroleiro pertencente à Chevron. Conversei com o [secretário de Estado dos EUA] Marco Rubio e, em termos gerais, disse que seria necessário ouvir o que os americanos pensam sobre o assunto. Ao que parece, eles enviaram alguns sinais", relatou.

"O senhor Wadephul também falou sobre isso, que é preciso abordar essa questão do Mar Negro. Expliquei tudo a ele. Por isso, digo aos nossos colegas que nos procuram: 'Vamos fazer um acordo bilateral. Rússia e Egito; Rússia e Turquia; Rússia e Índia. Garantimos que, assim como não atacamos seus navios, também nunca voltaremos a atacá-los'", acrescentou.

"Mas com os ucranianos é preciso conversar separadamente. E, provavelmente, não mais na linguagem do pedido, mas na linguagem das exigências", enfatizou.

Amnésia seletiva?

Além disso, o chanceler russo observou que as autoridades alemãs "se esquecem de muitas coisas, inclusive de quenão deveria haver nenhuma infraestrutura da Otan no território da antiga República Democrática Alemã". "Tudo isso foi esquecido", afirmou.

  • O encontro foi realizado a pedido do lado alemão e marcou a primeira reunião presencial entre os chefes das diplomacias dos dois países em mais de quatro anos.
  • De acordo com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, assessores do ministro alemão solicitaram restrições à cobertura da reunião, incluindo limitação do acesso da imprensa, proibição de perguntas, ausência de gravação do áudio inicial e um embargo à publicação de matérias sobre o encontro.