Brasil, Índia e África do Sul defendem reforma ampla do Conselho de Segurança da ONU

Grupo também alerta para efeitos dos conflitos sobre energia e alimentos no Sul Global, e defende ampliar capacidade renovável.

Brasil, Índia e África do Sul defenderam uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representatividade do órgão. A posição foi apresentada durante uma reunião do IBSA (grupo que reúne os três países), na quinta-feira (24). 

O encontro ocorreu à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A informação foi publicada pela imprensa indiana.

Em uma declaração conjunta, o grupo expressa "apoio a uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais democrático, representativo, legítimo e reflexivo das realidades contemporâneas".

Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o chanceler indiano, S. Jaishankar, e o ministro sul-africano, Ronald Lamola. Os três países também reafirmaram o compromisso com a Carta da ONU, o direito internacional e o fortalecimento do sistema multilateral.

Sul Global

O IBSA também manifestou preocupação com os efeitos dos conflitos sobre os países do Sul Global, especialmente sobre o abastecimento de energia e alimentos, além das consequências para a inflação e as contas públicas.

Na área econômica, Brasil, Índia e África do Sul defenderam acordos comerciais equilibrados, justos e mutuamente benéficos e uma reforma da governança econômica global que amplie a participação das economias em desenvolvimento e emergentes.

Os ministros também condenaram o ataque ocorrido em 22 de abril de 2025 em Pahalgam, na região de Jammu e Caxemira, que deixou 26 mortos, e reafirmaram a posição de "tolerância zero ao terrorismo", segundo a declaração.

Tecnologia e energia

No campo tecnológico, o grupo apoiou a expansão da infraestrutura digital e o acesso à conectividade. Os três países também reconheceram o "imenso potencial da IA para impulsionar o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável".

A declaração ainda defendeu medidas para acelerar a transição energética nos países em desenvolvimento, com expansão das fontes renováveis e aumento da eficiência energética.

"Apoio para triplicar a capacidade de energia renovável no Sul Global, duplicar a taxa média global de melhorias na eficiência energética e expandir os combustíveis sustentáveis, incluindo biocombustíveis, biogás e hidrogênio de baixa emissão", diz o comunicado.

Os ministros também pediram ações contra os impactos das mudanças climáticas e citaram iniciativas como a Aliança Global para os Biocombustíveis, a Aliança Solar Internacional, a Mission LiFE e a Coalizão para Infraestruturas Resilientes a Desastres.

A declaração conjunta reafirmou ainda o compromisso dos três países com o empoderamento de mulheres e com a remoção de barreiras sociais e econômicas.