A Rússia e a União Africana defenderam nesta terça-feira (7) uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representação africana no principal órgão de decisões da organização.
A posição foi reafirmada em declaração conjunta divulgada após consultas realizadas em Adis Abeba, Etiópia, entre o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, e o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf.
No documento, as partes reiteram o compromisso com o fortalecimento do multilateralismo e afirmam que a reforma do Conselho deve corrigir a "injustiça histórica contra a África", tratando o continente como "um caso especial".
A Rússia também reafirmou seu apoio à Posição Comum Africana, expressa no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte, que reivindica uma representação mais equitativa da África nos processos globais de tomada de decisão.
Fortalecer o multilateralismo
O comunicado destaca ainda a necessidade de "restaurar a confiança no sistema multilateral, tendo as Nações Unidas como centro", diante das transformações no cenário geopolítico e dos desafios relacionados à paz, à segurança e ao desenvolvimento. Segundo o texto, a reforma da governança internacional é necessária para tornar as instituições globais mais representativas e eficazes.
Além da ONU, Rússia e União Africana defenderam mudanças na arquitetura financeira internacional. As partes pedem um sistema "mais inclusivo, equitativo, transparente, despolitizado e orientado para o desenvolvimento", que reflita as necessidades dos países em desenvolvimento, especialmente dos Estados africanos.
A declaração também manifesta preocupação com o "peso desproporcional da dívida, o elevado custo do capital e o acesso limitado ao financiamento concessional" enfrentados por diversos países africanos.
Por isso, o documento pede maior acesso a crédito de longo prazo, ampliação da participação da África nas instituições financeiras internacionais, transferência de tecnologia e reforma dos bancos multilaterais de desenvolvimento para impulsionar o crescimento econômico e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).