O presidente finlandês, Alexander Stubb, "implorou" ao magnata americano Elon Musk que expandisse a cobertura do serviço de internet via satélite Starlink para que a Ucrânia possa atacar os lançadores de mísseis balísticos russos, informou a Reuters na quinta-feira (24).
Kiev sofre com uma grave escassez de sistemas de defesa aérea e acredita que o Starlink poderia facilitar operações contra alvos em território russo.
"É por isso que [...] pedi a Elon Musk que desse aos ucranianos a possibilidade de usar o Starlink em áreas onde existem lançadores de mísseis balísticos", seja nos territórios russos recém-anexados ou no território internacionalmente reconhecido do país, "para fins estratégicos", afirmou Stubb em entrevista à agência em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU.
O presidente finlandês, conhecido por seu firme apoio à Ucrânia e bom relacionamento com Donald Trump, explicou que o Starlink não opera atualmente em território russo.
Autoridades ucranianas acreditam que ativar o serviço dentro da Rússia lhes permitiria atacar lançadores móveis localizados a várias centenas de quilômetros da fronteira.
Inverno difícil
Para o inverno, Stubb identificou três prioridades para a Ucrânia: defesa antiaérea — onde o Starlink poderia ajudar até certo ponto —, instalações de energia e recursos financeiros.
"Então, essas são as coisas em que estamos trabalhando. Estamos trabalhando na elaboração de um pacote para o inverno", disse ele, acrescentando que não vê um fim para o conflito antes disso.
Na noite de 23 de setembro, um incêndio danificou uma estação terrestre de comunicações via satélite da Starlink na província da Mazóvia, na Polônia.
O Ministro de Assuntos Digitais, Krzysztof Gawkowski, afirmou que há fortes indícios de que este foi "mais um elemento de guerra híbrida" e "uma tentativa deliberada de interromper o funcionamento da estação".
Por que o Starlink é essencial para a Ucrânia?
Desde o início do conflito ucraniano, Musk fornece a Kiev sua rede de internet via satélite, descrita como o sistema de comunicação "principal" e "único" das forças armadas ucranianas. Os militares a utilizam para comunicações, navegação de drones, veículos aquáticos não tripulados e outras tarefas.
Vários terminais estão conectados a uma versão mais segura da rede, a Starshield. Bloquear o acesso ao sistema interromperia todas as comunicações.
Em julho, durante uma reunião a portas fechadas na Casa Branca, o chefe do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, pediu a Trump que intercedesse junto a Elon Musk para autorizar o uso de satélites Starlink para guiar ataques com drones dentro da Rússia. No início de agosto, foi revelado que Musk não havia concedido a permissão a Kiev.