
Influência invisível na América Latina: o outro lado da Starlink

A Starlink, empresa de telecomunicações de Elon Musk, expandiu recentemente seu serviço de banda larga via satélite na América Latina, onde diversas áreas remotas agora contam com boa conectividade. No entanto, essas áreas estão expostas a certos riscos.
O sul-africano naturalizado americano, que ocupou um cargo no governo dos EUA criado especificamente para ele, ainda mantém contato próximo com o presidente Donald Trump e sua agenda apesar de não ser explicitamente politicamente ativo.
Starlink supporting rural communities in Bolivia 🇧🇴
— Elon Musk (@elonmusk) September 14, 2026
Musk destacou na segunda-feira (14) que a Starlink agora "apoia comunidades rurais na Bolívia". A empresa também opera na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela; a maioria dessas nações mantém laços estreitos com Washington.

"Há preocupação de que depender de um único provedor, principalmente um tão politizado quanto este, possa ser realmente perigoso do ponto de vista da soberania de um país", afirmou Steven Feldstein, pesquisador sênior da Carnegie Endowment for International Peace.
Em entrevista à NPR no final de 2025, Feldstein levantou uma série de questões. "O que aconteceria se a Starlink decidisse cortar a conectividade, como já ocorreu em outras áreas? Quais opções esse país teria então? Esse tipo de questão preocupa muito os governos, especialmente aqueles cuja política externa não está diretamente alinhada à dos EUA", disse ele.
Coerção
Pouco antes de Musk deixar o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), foi revelado que os Estados Unidos pressionou Gâmbia, um país africano com aproximadamente 3 milhões de habitantes, para conceder uma licença à Starlink.
"Escrevo para solicitar seu apoio para permitir que a Starlink opere na Gâmbia", diz uma carta enviada pela Embaixada dos EUA na Gâmbia. "Solicito respeitosamente que facilite as autorizações necessárias para que a Starlink possa iniciar suas operações na Gâmbia", insistia.
Gâmbia, o sexto menor país da África, manteve sua recusa. No entanto, desde que Trump retornou à Casa Branca, pelo menos seis países do continente abriram suas portas para a Starlink.
Controvérsia
Duas semanas antes de os EUA e Israel atacarem o território iraniano, desencadeando o maior conflito do ano, o The Wall Street Journal noticiou que o governo Trump havia contrabandeado até 6.000 terminais do serviço de internet Starlink para o Irã.
No mês seguinte, em março de 2026, a Namíbia negou uma licença à empresa de Musk, alegando que suas leis exigem pelo menos 51% de participação local em qualquer negócio. Além disso, um ministro explicou que o pedido da Starlink não atendia aos requisitos básicos de segurança nacional.
A África do Sul, país natal de Musk, também rejeitou o serviço, pois sua legislação exige que pelo menos 30% da participação local em empresas de telecomunicações seja detida por grupos historicamente desfavorecidos, entre outras exigências regulatórias.

