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Rússia pode ganhar novas ilhas com recuo das geleiras no Ártico

Novaya Zemlya e Franz Josef são as duas áreas mais observadas, mas pesquisadores dizem que não é possível prever o fenômeno com certeza.
Rússia pode ganhar novas ilhas com recuo das geleiras no ÁrticoGettyimages.ru / zazznobe / 500px

A Rússia pode ganhar novas ilhas no Ártico nos próximos anos, com o possível surgimento de novas porções de terra nas regiões dos arquipélagos de Novaya Zemlya e Franz Josef, segundo Andrey Leonov, professor associado do Departamento de Hidrografia Marinha da Faculdade Ártica do Instituto "Academia Marítima". A informação foi publicada pela agência Ria Novosti na terça-feira (22).

O fenômeno está relacionado às mudanças climáticas e ao recuo das geleiras, que revelam áreas de terra mantidas sob o gelo durante séculos. Cientistas acompanham a situação na região por meio de imagens de satélite.

"Os dois arquipélagos que estamos observando agora com muita atenção são Novaya Zemlya e Franz Josef. Podemos dizer que é justamente ali que esperamos o 'nascimento' de novas ilhas. No entanto, a natureza não permite fazer uma previsão de 100%", afirmou Leonov.

Mapa em mudança

O pesquisador explicou que algumas formações identificadas como novas ilhas podem desaparecer posteriormente.

Foi o que ocorreu com a ilha Mesyatsev. Inicialmente, o local aparecia nos mapas como cabo Mesyatsev, depois passou a ser considerado uma ilha e, em 2024, desapareceu completamente. Os cientistas concluíram que se tratava de uma formação de gelo.

"Em nossa prática também houve casos inversos, quando a frente da geleira recuou e surgiu uma nova ilha. No entanto, alguns anos depois apareceu uma faixa de areia entre a ilha e a terra — e a ilha se tornou uma península", acrescentou Leonov.

Segundo o pesquisador, erros desse tipo podem permanecer nos mapas durante anos.

Foi o que aconteceu com a ilha Littrow, no arquipélago de Franz Josef. Antes da Grande Guerra Patriótica, ela foi registrada nos mapas como uma ilha.

Nos anos do pós-guerra, porém, uma expedição que realizava o mapeamento aéreo do arquipélago confundiu a formação com uma península por causa do gelo. A classificação permaneceu nos mapas por mais de meio século, até que o erro foi corrigido.