O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quinta-feira (24) os ataques de Israel à Faixa de Gaza e reafirmou a defesa brasileira da solução de dois Estados. A declaração ocorreu durante reunião ministerial da Aliança Global para a Implementação da Solução de Dois Estados, à margem da 81ª Assembleia Geral da ONU.
Segundo o Itamaraty, Vieira afirmou que, quase um ano após a entrada em vigor do denominado "cessar-fogo", os ataques contínuos israelenses contra Gaza já deixaram mais de 1,3 mil mortos nesse período.
O chanceler defendeu que o Conselho de Segurança da ONU permaneça como a principal instância para tratar da Questão Palestina e supervisione a implementação do Plano Abrangente para Encerrar o Conflito em Gaza, endossado pela Resolução 2803 (2025).
Vieira também condenou os avanços de Israel na Cisjordânia, classificados pelo governo brasileiro como ilegais, e a violência de colonos israelenses contra palestinos. Ele reafirmou que uma saída sustentável depende de um Estado palestino soberano, independente e viável, ao lado de Israel, em paz e segurança.
Protesto brasileiro
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que a delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia Geral da ONU assim que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso. A retirada ocorreu em protesto às posições do premiê, sobretudo em relação à guerra em Gaza.
O movimento foi planejado com antecedência. Apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão, mas outros quatro integrantes da delegação se juntaram a ele durante o discurso de José Manuel Restrepo, vice-presidente da Colômbia, que antecedeu Netanyahu.
Segundo fontes, o objetivo era aumentar o número de representantes brasileiros no plenário antes da saída.
Outras delegações também abandonaram o salão. Ao perceber a movimentação, Netanyahu afirmou: "Se há mais covardes que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora".
Posição brasileira
O governo brasileiro mantém uma posição crítica às ações militares de Israel em Gaza e defende a criação de dois Estados como solução para o conflito.
Na terça-feira (22), durante seu discurso na Assembleia Geral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a acusar o governo israelense de genocídio em Gaza e criticou "os assentamentos ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados".