O Reino Unido respondeu nesta quarta-feira (23) ao presidente da Argentina, Javier Milei, após o mandatário voltar a reivindicar a soberania sobre as Ilhas Malvinas durante discurso na Assembleia Geral da ONU.
"O Reino Unido não tem nenhuma dúvida sobre sua soberania sobre as Ilhas Falklands [Malvinas]", afirmou a delegação britânica nas Nações Unidas, em comunicado divulgado após a intervenção de Milei.
Londres também voltou a defender o princípio da autodeterminação dos habitantes do arquipélago, argumento rejeitado pela Argentina no caso das Malvinas.
"A Argentina continua negando que esse direito humano fundamental se aplique ao povo das Ilhas Falklands e busca ativamente oportunidades em fóruns internacionais para fazer valer sua reivindicação de soberania", afirmou o comunicado britânico.
A representação do Reino Unido criticou diretamente a posição de Buenos Aires. "Esse comportamento é totalmente incompatível com os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas e não é o comportamento que esperamos de uma democracia", declarou.
Horas antes, Milei havia afirmado à Assembleia Geral que as Malvinas constituem para a Argentina "uma causa nacional" e acusou as Nações Unidas de "olhar para o outro lado" diante da disputa.
O presidente argentino também convocou o Reino Unido a retomar as negociações sobre a soberania e afirmou que seu governo seguirá com uma "defesa pacífica, prática e efetiva" da reivindicação argentina.
Exploração de recursos
O comunicado britânico também respondeu às recentes medidas adotadas pela Argentina contra empresas relacionadas à exploração de recursos nas águas próximas ao arquipélago.
Londres classificou as tentativas de "obstruir e assediar" companhias envolvidas na exploração de hidrocarbonetos e em outras atividades econômicas nas ilhas como uma iniciativa "totalmente inaceitável" de exercer jurisdição extraterritorial.
Segundo a representação britânica, essas medidas "não têm justificativa alguma no direito internacional".
A tensão aumentou nas últimas semanas após o governo argentino avançar com medidas para endurecer as punições contra quem explore recursos naturais sem autorização de Buenos Aires.
O Reino Unido sustenta, por outro lado, que os habitantes das ilhas têm direito a desenvolver esses recursos e classificou as ações argentinas como "obstrutivas para os negócios globais e incompatíveis com o livre comércio".
Posição britânica
A disputa também esteve na agenda do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Nova York.
Na terça-feira (22), após se reunir com Donald Trump, Burnham afirmou que Londres permanecerá "firme" e defenderá o direito dos habitantes das ilhas "à autodeterminação e a continuar sendo britânicos",reportou a Reuters.
Trump havia afirmado em agosto que Washington estava revisando sua posição tradicional sobre a controvérsia. Burnham disse ter abordado diretamente o tema com o presidente dos Estados Unidos.